-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Família: Missão Apaixonante


O Papa João Paulo II diz, na sua “Carta às Famílias”, que “a família é o centro e o coração da civilização do amor”, que está nas raízes mais profundas do desejo de Deus para o homem na terra. Neste tempo em que a necessidade do matrimônio e da família no mundo tem sido posta em questão, é preciso anunciar o que de fato ela é: uma missão apaixonante!




Criada por Deus, a família existe para Ele, e só n’Ele pode encontrar o seu sentido. Vamos começar a encontrar o seu sentido no livro do Gênesis, mais exatamente no trecho que fala da origem do homem e da mulher sobre a terra.

Criados à imagem e semelhança do Deus Trinitário, que vive uma eterna comunhão de amor, o homem e a mulher são desde o início chamados a “crescer e multiplicar-se” por uma comunhão semelhante à divina. Deus chama o ser humano, obra-prima da Sua criação, a uma eterna comunhão de amor com Ele, e este chamado encontra uma significativa expressão na aliança nupcial que se instaura entre o homem e a mulher, cujo vínculo de amor é tantas vezes descrito na revelação como imagem da Aliança que une Deus com seu povo.

Contudo, o egoísmo que se esconde desde o primeiro pecado no amor do homem e da mulher (Gn 3,16), requer a Redenção da família, e a reordenação para sua finalidade última. Só assim a família reencontra a sua razão de ser, pois o amor humano corre constantemente o risco de partir do homem e acabar no homem, quando o seu destino é partir do homem para encontrar a imagem de Deus.

A comunhão entre Deus e o ser humano, ferida pelo pecado, foi restaurada no sacrifício que Jesus Cristo faz de si mesmo por sua Esposa, a Igreja. “Neste sacrifício, descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do homem e da mulher, desde a sua criação” (João Paulo II, Familiaris Consortio, n.13). E o Espírito, que Ele nos envia, é que nos capacita, como homens e mulheres unidos pelo sacramento do Matrimônio, a nos amarmos mutuamente, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.

Assim é que o amor conjugal, iluminado pela Caridade de Cristo, nos capacita a vivermos no interior da família a mesma Caridade com que Cristo se doa sobre a cruz (Ef 5,32). E este amor sobrenatural que atinge o casal deve se estender como graça para os filhos e entre os filhos, como também entre pais e filhos, e, mais ainda, entre os membros de cada família e os de fora.

“Esposos e famílias, recordai-vos por que preço fostes comprados” (João Paulo II, Carta às famílias, n.18). Missão apaixonante é a dos esposos e da família por eles constituída: Viver a mesma Caridade com que Cristo se doa sobre a cruz! Os esposos participam da função redentora de Cristo ao assumirem integralmente, por vocação divina, a finalidade para a qual o matrimônio foi instituído. Eis a beleza e a honra da missão que o Senhor atribui à família!

A família não só usufrui do mistério Pascal de Cristo, mas é chamada a participar dele, o que passa através das manifestações mais simples do amor conjugal, que por causa da sua dimensão terrena parecem inadequadas em comparação com o grande mistério que devem expressar. Mas não podemos nunca esquecer que “o mistério divino da Encarnação do Verbo está em estreita relação com a família humana” (Carta às Famílias, n.2).

O Filho unigênito, Deus de Deus, Luz da Luz, entrou na história dos homens através da família: Pela Sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, que tornou-se semelhante a nós em tudo, menos no pecado, nasceu e cresceu numa família humana, trabalhou com mãos humanas, e passou grande parte da Sua vida no recanto escondido de Nazaré, submisso a Maria, Sua mãe, e a José, o carpinteiro.

Assim é que a vida familiar constituída pelos esposos, pelos filhos, pela profissão, e por todos os demais complexos de realidades humanas é o lugar em que Deus expressa Seu convite à santidade, e se propõe como imagem que a família é chamada a expressar. Tudo isso, que acontece por puro Dom de Deus, requer a resposta humana, a adesão de cada um dos membros da família.

A alegria, gerada nos momentos de amor e compreensão recíproca, é instrumento de participação no gozo Pascal de Cristo, ocasião de agradecimento, louvor, e sobretudo abertura ao mundo, mas também a dor, infalível e indispensável da experiência humana, é instrumento de adesão da família ao mistério da cruz. E não somente as grandes dores, mas mesmo as menores, as mais pequeninas da vida diária, as doenças, o cansaço, o desgaste nas relações mútuas, a experiência das limitações de seus membros, constituem fatos construtivos de uma unidade espiritual dirigida para a Caridade que não tem fim. O que importa, de fato, é que os cônjuges não confiem acima de tudo em si mesmos, mas tenham a lúcida consciência de que Cristo os chamou e sustenta, e de que, à obscuridade da crucifixão, se segue sempre a alegria da Ressurreição.

É primeiramente dentro da realidade diária da família que o casal está no mundo a fim de orientar o mundo para Deus. Em Cristo, a missão de cada membro da família encontra o seu sentido: “Ser para os outros”. A família cristã não é para si, mas para os outros; e não só os outros mais diretos e próximos, mas para todos os homens. A família é assim o espaço em que o amor de Deus não somente é acolhido em si mesmo, mas doado aos outros. Membros de cada família, é necessário que nos doemos uns aos outros, mas é também imprescindível que, juntos, nos doemos à Igreja e ao mundo. Por este caminho é que a família, através do esforço cotidiano para vencer o próprio egoísmo e abraçar a Caridade de Cristo, de fato se realiza.

Em cada época histórica e em cada ambiente cultural e social, houve cônjuges que experimentaram seu matrimônio como uma missão, como um serviço a Deus, e por isso se tornaram sinal da unidade e fidelidade de Cristo à Igreja, através da sua própria unidade e fidelidade mútua, unidade esta que é uma conquista diária, e fidelidade esta que deve atingir inclusive o plano espiritual, pela solidariedade em carregar até o fim “o peso uns dos outros” (Gl 6,2). Ambas, unidade e fidelidade, manifestam a indissolubilidade do compromisso matrimonial, não entendida pelos homens do Antigo Testamento, por causa da dureza dos seus corações, mas proclamada claramente por Cristo aos fariseus (Mt 19,8).

Muitos esposos se tornaram sinal do amor de Cristo pelo seu serviço à vida, manifestado concretamente pela procriação, pela adoção, pela educação, pela hospitalidade, pela maternidade e paternidade espiritual, pela fraternidade universal e pelo serviço à Igreja e ao mundo. “Neste sentido, a família é o espaço em que o amor de Deus, encarnado e, por assim dizer, comprovado no amor entre o homem e a mulher, é não somente acolhido em si mesmo, mas doado aos outros, através do testemunho de vida, da entrega à evangelização e ao compromisso apostólico”.

Fonte:Espaço Maria

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Maria nos planos de Deus


Aos profetas – sobretudo a Isaías – já havia sido revelado: o Messias chegaria nascido de uma jovem, de uma virgem. Certamente, não poderiam aqueles homens imaginar quem seria essa jovem, e, como a maioria do povo provavelmente também eles acreditavam que a escolhida por Deus seria alguém de alta linhagem social.
Importa saber que o Senhor não se revelaria mais como uma força da Natureza como por diversas vezes havia se mostrado ao povo. Nem tampouco seria apenas mais palavras nas bocas dos profetas. Seria, sim, homem nascido de uma mulher, encarnado no seio da humanidade para experimentar-lhe os limites, as dificuldades, as possibilidades. Este era um primeiro passo do plano de Deus: se até aquele momento, tudo o que já demonstrara por seu povo não havia sido suficiente, Ele se tornaria um de nós, para mostrar, definitivamente, que era possível.
Havia entre as jovens daquele tempo a expectativa de ser a escolhida. Certamente não sabiam como isso aconteceria e o imaginário muito provavelmente alimentava as esperanças das moças que desejavam ser aquela que o Senhor viria a escolher para ser a mãe do Messias. Essa expectativa muito provavelmente deve ter sido experimentada também por Maria.
Ainda que em atitude humilde, ainda que provavelmente não conseguindo reconhecer nenhum mérito em sua simples vida, Maria era uma jovem absolutamente normal, conhecia e vivia a realidade das mulheres de seu tempo. Por que, então, estaria ela nos planos de Deus? Por que o Senhor marcou apenas aquela jovem para ser a mãe de Seu Filho? O que haveria nela de tão especial?
Maria estava nos planos de Deus como toda a humanidade está. Deus sabia da infidelidade do homem à sua aliança e,por ser todo misericórdia, decidiu o envio de Seu Filho ao mundo. Era preciso, pois, que Jesus nascesse de uma mulher, que crescesse, que por ela fosse cuidado, educado, constituído homem. Maria foi capaz de ler o anúncio de Deus, foi capaz de reconhecer naquele ser que lhe visitava o anjo do Senhor e, mais que tudo, foi capaz de responder sim ao que lhe era pedido. E se ela tivesse respondido “não”, ou se não tivesse visto nada de especial naquele homem que lhe abordava com uma proposta absurda – como ela mesma o questionará. Provavelmente, Deus teria se dirigido a outra jovem, até encontrar aquela que tivesse no coração a capacidade de escuta, o amor por seu Deus acima de si mesma, o desejo de contribuir com a salvação da humanidade – tudo o que conseguiu encontrar em Maria!
O diálogo de Maria com o anjo mostra alguém que questiona, que não entende o que vai acontecer. A revelação de que Isabel também está grávida, faz com que corra a ver a prima, que também é detentora de uma situação especial, para com ela compartilhar daquela reviravolta. E quantas outras vezes Maria não terá se perdido em reflexões sobre o que desejava Deus com aquilo tudo… Atitudes e dúvidas plenamente humanas, mas que revelam um diálogo profundo e constante com o Senhor para que Nele encontrasse todas as respostas.
Maria fora preparada por Deus para ser a Mãe de Jesus como todos também somos preparados por Deus para fazer Jesus chegar à humanidade. A fé nos faz crer que a jovem de Nazaré fora concebida e mantida imaculada, como um carinho de Deus para não permitir que o pecado tocasse o corpo que geraria Seu Filho, para que não tocasse Ele próprio. Mas Deus não tirou uma só característica da personalidade de Maria, Ele a quis em sua integridade, em sua forma de ser. Nela confiou, nela acreditou e sabia que daria conta da Missão que lhe confiava.
Como Maria, cada um de nós faz parte também dos planos de Deus. Somos todos escolhidos. Estamos em Deus antes mesmo de ser concebidos. Deus nos quer desde sempre e nos prepara para a missão. Cabe a cada um reconhecer os anjos que nos procuram, responder aos convites que Deus nos faz – ainda que nos pareçam impossíveis serem realizados. Maria foi preparada por Deus para a Sua Missão, que certamente supera a nossa. Mas, por Ela e nEla podemos crer que Deus também nos prepara para as nossas missões individuais, nos concede graças especiais que nos fortalecem e protegem na caminhada. Ele só quer que digamos “sim”, como quis um dia que aquela jovem, por Ele escolhida, também o dissesse.
Fonte: Amai-vos