-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Almas sem confiança, porque duvidamos?



“Ergo os olhos para os montes: de onde virá o meu socorro? O meu socorro vem de Deus, que fez o Céu e a Terra”. (Salmos 121. 1-2)

A desconfiança, sejam quais forem as suas causas, nos traz prejuízo, privando-nos de grandes bens. Quando São Pedro, saltando da barca, se lançou ao encontro do Salvador, caminhou, a princípio, com firmeza sobre as ondas.

Soprava o vento com violência. As vagas oras levantavam-se em turbilhões furiosos ora cavavam no mar abismos profundos… A voragem abria-se diante do Apóstolo. Pedro tremeu… hesitou um segundo, e, logo, começou a afundar … “Homem de pouca fé, disse-lhe Jesus, por que duvidaste? … “ (São Mateus 14,31)

Eis a nossa história. Nos momentos de fervor, ficamos tranqüilos e recolhidos ao pé do Mestre. Vindo a tempestade, o perigo absorve a nossa atenção. Desviamos então os olhares de Nosso Senhor para fitá-los ansiosamente sobre os nossos sofrimentos e perigos. Hesitamos… e afundamos logo! Assalta-nos a tentação. O dever se nos torna enfadonho, a sua austeridade nos repugna, os seu peso nos oprime. Imaginações perturbadoras nos perseguem. A tormenta ruge na inteligência, na sensibilidade, na carne…

E perdemos pé; caímos no pecado, caímos no desânimo, mais pernicioso do que a própria falta. Almas sem confiança, porque duvidamos?

A provação nos assalta de mil maneiras. Ora os negócios temporais periclitam, o futuro material nos inquieta. Ora a maldade ataca-nos a reputação. A morte quebra os laços de afeições das mais legítimas e carinhosas. Esquecemos, então, o cuidado maternal que tem por nós a Providência… Murmuramos, revoltamo-nos, aumentamos assim as dificuldades e o travo doloroso do nosso infortúnio.

Almas sem confiança, porque duvidamos?…

Se nos tivéssemos apegado ao Divino Mestre com uma confiança tanto maior quanto mais desesperada parecesse a situação, nenhum mal desta nos adviria…

Teríamos caminhado calmamente sobre as ondas; teríamos chegado, sem tropeços, ao golfo tranqüilo e seguro, e, breve, teríamos achado a placa hospitaleira que a luz do Céu ilumina…

Os Santos lutaram com as mesmas dificuldades… muitos dentre eles cometeram as mesmas faltas. Mas estes, ao menos, não duvidaram… Ergueram-se sem tardança, mais humildes após a queda, não contando, desde então, senão com os socorros do Alto.

Conservaram no coração a certeza absoluta de que, apoiados em Deus, tudo poderiam. Não foram iludidos nessa confiança.

Tornai-vos, pois, almas confiantes. Nosso Senhor a isso vos convida; e o vosso interesse assim o exige. Tornar-vos-eis, ao mesmo tempo, almas iluminadas, almas de paz.

Extraído do livro: “O Livro da Confiança” de Padre Thomas de Saint Laurent.
Fonte:Associação do Sagrado Coração

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Autenticidade de vida e testemunho do Santo Evangelho



“Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais vós também”
(Jo 13,15).
O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo é sempre a realização viva de seus ensinamentos. Seu exemplo precede seu ensino, e dele constitui a força interior que lhe dá autoridade e eficácia.
Movido pelo impulso do Espírito e inspirado pelo exemplo de Jesus, São Paulo afirma que seu ministério apostólico, junto aos tessalonicenses, foi exatamente a aplicação do exemplo e do mandamento do Mestre: “fizemo-nos pequenos entre vós, como a mãe que cerca de ternos cuidados os seus filhos. Assim, amando-vos muito, ansiosamente desejávamos dar-vos não só o Evangelho de Deus, mas ainda as nossas próprias vidas” (1 Ts 2,7b-8).
E acrescenta, pouco depois: “Assim como sabeis de que maneira a cada um de vós (como um pai a seus filhos), vos andávamos exortando, e confortando, e suplicando que andásseis duma maneira digna de Deus” (1 Ts 2, 11-12).
Não é fácil encontrar hoje, em homilias de padres e em cartas pastorais de bispos, uma linguagem capaz de expressar aquela autêntica expressão de paternidade e de maternidade, espirituais, na qual a Igreja, através da conferição dos sacramentos e dedicação generosa dos seus ministros, nos infunde a vida de Deus, pela fé, e se torna nossa “mãe”. Quantas vezes estamos proclamando, na linguagem eclesiástica do dia-a-dia, que a Igreja é nossa mãe!
Quanto da paixão e da ternura de mãe, bem como do empenho generoso e sábio de pai – que o apóstolo reivindica como características do seu empenho apostólico para com os tessalonicenses – alimentam nossa pregação e catequese, da “boa nova” santificadora de Nosso Senhor Jesus Cristo?
As firmes palavras de Nosso Senhor na polêmica com os fariseus projetam uma luz na contradição radical entre “palavras” e comportamentos, sobretudo nas pessoas que, na sociedade, têm a missão e a tarefa de encaminhar as pessoas para a glória de Deus, as quais deveriam cuidar, educar e acompanhar, com ternura de mãe, seus filhos espirituais.
Seu estilo de vida deveria ser um espelho do mesmo ensino, para dar-lhe credibilidade. Caso contrário, torna-se um tropeço que atrapalha a vida espiritual do povo. Distinguir as situações ambíguas, com sabedoria e discernimento, como convém a pessoas maduras na fé, e pegar a renúncia às coisas mundanas, para seguir o único verdadeiro Senhor, Pai e Mestre: eis a vocação dos verdadeiros discípulos em todo tempo.
Em relação aos fariseus, disse Nosso Senhor: “Observai, pois, e fazei tudo o que eles disserem; mas não imiteis as suas ações, porque dizem e não fazem” (Mt 23, 3). Evidenciando uma série de contradições, Nosso Senhor destaca dois principais pecados dos maus pastores, que constituem o núcleo venenoso da alma, a hipocrisia. Isto é, a manipulação da verdade para consigo mesmo, perante Deus e os homens.
O primeiro pecado é a tentativa de esconder-se atrás de um aparente zelo religioso, identificado com a rígida observância da Lei, por eles aludida, mas carregada sobre os ombros do povo, observância desprovida de autenticidade (Mt 23, 4). O segundo pecado é a procura em chamar a atenção para si mesmo, ao ostentar formas e palavras capazes de atrair os simples, em vez de guiá-los ao Senhor da vida (Mt 23, 5-7).
Nosso Senhor Jesus Cristo assume a atitude do profeta Malachias, que denuncia a perversão da própria missão, por parte dos sacerdotes. Eles (os sacerdotes) deveriam ser de ajuda e servir de guia ao viver, com fidelidade, o próprio mandato recebido; ao contrário: se tornaram “pedra de tropeço” para os pobres (1ª Leitura, Ml 2, 8).
Os pequeninos (ou seja, as almas inocentes) são os privilegiados de Deus Nosso Senhor! Por isso a ameaça de Jesus Cristo se faz ainda maior: “Porém o que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a mó que um asno faz girar, e que o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).
Tropeço e escândalo dos pequeninos não são apenas os comportamentos abertamente em contradição com o Evangelho e o ensino da Igreja. Quando isso acontece, é mais fácil reconhecer o desvio, e se defender. Hoje em dia atuam também duas formas, dentre outras, de possíveis desvios do caminho próprio do discípulo de Jesus.
Uma delas é certa mentalidade secular que descuida do amor de Deus sobre todas as coisas, para seguir um individualismo limitado ao nível do bem estar material.
A outra é até mais sutil: é a exploração do sentimento religioso das pessoas, desviando-o para formas pobres de conteúdo doutrinário, mas fortemente ligadas às emoções, sem o cuidado paterno e materno de São Paulo Apóstolo, para educar este mesmo sentimento religioso, e encaminhar os fieis para haurir das riquezas espirituais que a Igreja proporciona para todo o povo, pela sua Doutrina, pela sua Liturgia, e na formação mais substanciosa da própria fé.
Ao pegar certas publicações que se dizem de caráter piedoso, e ao olhar certos programas de TV (não somente evangélicos!), que pretenderiam alimentar a fé do povo de Deus, vêm naturalmente à mente as severas palavras de Nosso Senhor, no Evangelho! Muitas vezes são propostas, na realidade, formas quase mágicas de piedade! Para onde foi o luminoso empenho da Igreja, orientado a reconduzir a fé e a piedade do povo de Deus às suas divinas raízes dos ensinamentos de Deus e das práticas litúrgicas, renovando as bases da catequese, para que se tornasse mais idônea a iluminar a mente e a abrasar os corações, com a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo? Esta foi a grande “estrela polar” da eclesiologia, segundo a mais antiga e original Tradição da Igreja.


Este é o caminho para, no nosso tempo, praticar e promover uma fé e uma piedade autênticas, capazes de enfrentar os tentações da secularização e a falsidade de certas propostas religiosas.
Os bons estudiosos do Novo Testamento advertem que o tom altamente polêmico do trecho do Evangelho de São Mateus, provavelmente, tende a marcar que o perigo da hipocrisia não se encontrava somente no povo judeu, mas também nos discípulos de Jesus, e se encontra em qualquer tempo e lugar.
Entretanto, para os discípulos, Nosso Senhor indica outros critérios e outro modelo para se executar de maneira autêntica a autoridade: “Vós sois todos irmãos ….” (Mt 23,8-12).
Contudo, os discípulos não conseguiram entender o que isto deveria significar para eles mesmos. Continuam brigando sobre quem deveria ocupar os primeiros postos de poder entre eles.
Então Nosso Senhor explica mais ainda: “Vós sabeis que os príncipes das nações têm o domínio sobre elas, e que os grandes as governam com autoridade. Não será assim entre vós, mas todo o que quiser ser entre vós o maior, seja vosso ministro; e o que quiser ser entre vós o primeiro, seja vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para redenção de muitos” (Mt 20, 25-28).
Este é sentido que, na Igreja, têm as pessoas que exercem a função de ensinar, de sustentar a fé e de guiar o povo de Deus: “dar a sua vida para redenção de muitos”!
Assim sendo, a capacidade de servir a Deus Nosso Senhor e guiar o povo, como convém, é uma graça. Esta graça, como todas as graças, devemos pedir, para vencermos heróica e santamente as nossas debilidades: “Ó Deus, de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas”.

Fonte: (Associação Apostolos do Sagrado de Jesus) Baseado em Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração, publicado em zenit.org