-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 14 de julho de 2012

Homilia para o Décimo Quinto Domingo Comum do Ano Litúrgico de 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Palavra de Deus do Décimo Quinto Domingo Comum do Ano Litúrgico de 2012 indica que o seguimento acontece no cotidiano: no trabalho comunitário, realizado em mutirão, no desprendimento e na disponibilidade. O anúncio alegre da Boa Nova deve envolver toda a pessoa, não como simples funcionário, mas como profeta, em meio a tantos conflitos e situações de injustiça e exploração do povo simples. Fomos chamados para uma missão que não escolhemos, mas fomos escolhidos antes da criação do mundo para sermos enviados como servidores do povo. Escolha é graça e, por outro lado, traz exigências, como a recusa de privilégio social e econômico; um desprendimento pessoal. A vivência religiosa tem consequência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. O Evangelho que propõe leva-nos a fazer política. Não uma política segundo os interesses do ‘rei’ ou dos poderosos, mas conforme o espírito do Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos pobres. Fomos marcados por Cristo e com o Espírito Santo, para uma ação transformadora. O compromisso é fazer com que a situação de injustiça se converte numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão que implica na modificação integral de nossa maneira de viver e agir. No Evangelho de Marcos, como caminho de iniciação cristã, descobrimos, passo a passo, quem é Jesus e como ser seu amigo, parceiro e discípulo. Como apóstolos, somos convocados, batizados e iluminados, para sermos enviados. O convite de Deus sempre implica num envio. Somos cristãos não para enfeitar a Igreja, nem para granjear honrarias, mas para a missão e o compromisso. O desafio é desempenhar a missão no modo de Jesus e na pedagogia dele, que veio curar e consolar. Destruir tudo o que oprime, escraviza, rebaixa e exclui as pessoas. Abrir-se para todas as possibilidades de vida feliz e abundante para todos. O Senhor nos fortalece e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino. Nos desígnios do Pai, fomos feitos seus e herdeiros desse Reino. Os filhos e herdeiros têm o direito e a responsabilidade de serem os continuares e amigos do projeto divino (cf. Roteiros Homiléticos n. 22 da CNBB, pp. 64-70). “A exemplo dos primeiros apóstolos, somos chamados a estar com Jesus. A convivência com ele renova nossa alegria e nos fortalece na missão de pregar a conversão e combater todas as formas de mal presentes no mundo. As leituras deste domingo nos mostram obstáculos que a mensagem de salvação pode encontrar. Mas também nos fazem ver que nada deve impedir a Igreja de louvar a Deus e obedecer ao mandato de Jesus. Ninguém se faz profeta; Deus é que chama a pessoa para ser profeta e missionário e a prepara para isso. Deus nos chamou para a santidade e a unidade com Cristo. Jesus chama e envia seus discípulos, dando-lhes instruções para a missão” (cf. Liturgia Diária de Julho de 2012 da Paulus, pp. 53-55). Podemos repetir neste domingo que a Igreja de Jesus é essencialmente missionária, discípula e ministerial! A Comunidade toda é chamada a ser uma verdadeira Igreja do Ir ao Encontro das pessoas todas, especialmente das mais simples, pobres e marginalizadas. Corremos, frequentemente, o risco de acolher as pessoas que nos convém. Não raras vezes somos demasiado exigentes com nossos Agentes de Pastoral e aquelas pessoas que frequentam nossas celebrações e nos ajudam em nossas atividades pastorais. Repreendemos quem veio, quando deveríamos deixar o “rebanho reunido”, indo ao encontro e à procura de quem não veio, a exemplo do Bom Pastor, que resgata a ovelha perdida. Ao lado disso, preocupa-nos o acentuado triunfalismo, o espetaculoso e o abuso do “poder da estola” sobre nossos fiéis. Precisamos superar a acepção e a discriminação das pessoas que buscam, nos ministros ordenados e nos agentes de pastoral, maior coerência entre o que pregam e vivem. Não podemos deixar de nos perguntar sempre: O que Jesus diria? Como Jesus agiria? Qual seria a atitude de Jesus? Só assim, em nossa missão de verdadeiros discípulos, em nossas Comunidades de Fé: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus”. Só assim todos que virem nosso ministério bem vivido e alimentado pela humildade, reconhecerão que somos de Jesus! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Am 7,12-15; Sl 84(85); Ef 1,3-14 e Mc 6,7-13)

terça-feira, 10 de julho de 2012

A assunção de Maria Santíssima para a Eternidade

Ao longo da história, os teólogos se dividiram na opinião se a Virgem Maria morreu de fato ou se apenas adormeceu e foi levada ao céu em corpo e alma, pelos anjos. A basílica em sua honra em Jerusalém chama-se exatamente “Dormitio Mariæ” e um dos documentos mais antigos sobre os últimos dias de Maria também leva esse título. O dogma da Assunção de Maria, proclamado em 1950, não dirimiu a questão, afirmando que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. O corpo de Maria, elevado ao céu, podia já ser um corpo glorificado, como o de Jesus após a ressurreição. Tanto os que falam em morte natural de Maria quanto os que falam em sono profundo da Mãe de Deus têm seus bons argumentos. Estes últimos argumentam com sua conceição imaculada. Se a morte é consequência do pecado, Maria Santíssima, sem pecado e sem sombra de pecado, não podia morrer. Lembram também que a imortalidade é uma característica da Igreja. Ora, sendo Maria Santíssima o protótipo da Igreja, bem podia Deus realizar nela o que fará com a Igreja no final dos tempos, ou seja, ressuscitar os que morreram e “arrebatar com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares os que ainda estão vivos” (1Ts 4,16-17). Os que afirmam sua morte natural lembram que também Jesus era imaculado e santíssimo e passou pela morte, destino de todos os filhos de Adão, porta e parto necessários para a imortalidade. Maria Santíssima é o modelo de todos os resgatados por Cristo através de sua morte e ressurreição. Também Maria Santíssima, que se uniu a Ele no Calvário, ter-se-á configurado a ele na morte e na ressurreição. Assim como ela, sem pecado, passou por dores, angústias, desconfortos, perseguição, também terá passado pela prova maior: a morte corporal. Sem que com isso se afirme que seu corpo sofreu a decomposição. As duas tradições são antiquíssimas. Entretanto prevalece a tese de que Maria Santíssima passou pela morte à imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas é ainda e continuará a ser uma questão em aberto. Na dispersão dos Apóstolos, Nossa Senhora permaneceu aos cuidados de São João, como recomendara Jesus na Cruz (Jo 19,16-27). O Apóstolo São João dirigiu-se para Éfeso, hoje sudoeste da Turquia, uns 600 km ao sul de Istambul. Maria Santíssima terminou seus dias terrenos em Éfeso. Esta tradição se confirmou com as visões da alemã Ana Catharina Emmerich (1774-1824) que, em sonho ou numa revelação, “viu” no alto da montanha popularmente denominada “Colina do Rouxinol”, distante 7 km da antiga cidade portuária de Éfeso, a capela Meryem Ana Evi (Casa da Mãe de Deus), que seria a casa em que Maria Santíssima terminou seus dias. Catharina Emmerich viajou para lá, encontrou tudo como “vira” em sonho e começou a restaurar a antiga capela-casa de Maria, que até hoje os peregrinos podem visitar. Mães turcas, católicas e até mesmo muçulmanas visitam continuamente aquele santuário, para terem um bom parto e sorte na educação dos filhos. Entretanto outra tradição diz que Maria Santíssima terminou sua jornada terrena em Jerusalém, no Monte Sion, e foi sepultada no lugar onde se encontra hoje a Basílica da “Dormição de Nossa Senhora”, na região do Vale do Cedron. Foram encontradas grafites, escritas pelos primeiros cristãos, que iam honrar o local do túmulo de Maria Imaculada. Foram encontradas também algumas sepulturas judeu-cristãs, que ladeiam a câmara mais interna. Ademais os católicos sempre foram lá venerar o túmulo da Santa Mãe de Deus. Há relatórios de peregrinos (como o do famoso Etérea), que por lá passaram e registraram suas impressões sobre a visita e a liturgia celebrada no local. A Santíssima Virgem teria voltado de Éfeso para Jerusalém, onde moravam seus parentes, quando o Apóstolo São João retornou para participar do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja (At 15,6-29). Na década de 1960, quase ao mesmo tempo em que o franciscano Frei Bellarmino Bagatti fazia as escavações científicas junto ao túmulo de Maria, foi descoberto, na biblioteca do Louvre, em Paris, um documento, em grego, que possibilitou chegar a outros documentos, sobretudo a três, muito próximos entre si tanto na informação quanto no estilo. São eles: De Transitu Mariæ (em língua etíope), Dormitio Mariæ (em grego) e Transitus Mariæ (em latim). Estes textos devem ser datados do final do segundo século até começos do século quarto. Os três textos concordam em que Maria Santíssima tenha terminado seus dias em Jerusalém. Há uma tradição, dos primeiros tempos da Igreja, que conta que, chegado o momento do trânsito de Nossa Senhora, Nosso Senhor Jesus Cristo veio buscá-la, acompanhado dos Arcanjos São Miguel e São Gabriel. São Miguel foi o vencedor de Lúcifer, no Céu, e o vencedor do dragão de sete cabeças, que quis devorar o filho da mulher revestida de sol (Ap 12,3-5). No passamento de Maria Santíssima, hora de triunfo e de vitória, o grande São Miguel, o protetor da Igreja contra Satanás, retorna para acompanhar, na entrada da glória, Aquela que é a primícia da humanidade redimida e santificada. Retorna também, com Cristo glorioso, o Arcanjo São Gabriel, o embaixador de Deus na Anunciação (Lc 1,26). O Arcanjo, presente no início da salvação trazida por Nosso Senhor Jesus Cristo, retorna no momento em que Maria Santíssima entra gloriosa no seio da Trindade para ser, no tempo e na eternidade, a Mãe da Igreja, a terníssima Rainha do Céu e da Terra. Maria Santíssima esteve unida a Nosso Senhor Jesus Cristo a vida inteira: unida no corpo, fazendo uma só com ele; unida na missão redentora a ponto de ser chamada co-redentora; unida na morte e unida por toda a eternidade na glória. Passando pela morte, Nossa Senhora tornou-se para a humanidade a “feliz porta do céu, para sempre aberta”. Por Frei Clarêncio Neotti, O.F.M (Excertos) Fonte: Associação Devotos de Fátima