-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 27 de abril de 2013

HOMILIA PARA O QUINTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

          A 51ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) testemunhou ainda mais a magnífica unidade e comunhão que norteia o Episcopado Brasileiro. É lindo ver como os nossos Pastores se querem bem, se amam e buscam apontar caminhos de novo ardor missionário para seus rebanhos, suas Igrejas particulares, cada uma com suas características, desafios e sonhos diferentes, porém, com igual entusiasmo da vivência de uma mesma fé. “Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia” foi o tema central daqueles dez dias de Assembleia, Encontro de Irmãos, Sucessores dos Apóstolos, que buscam viver os conselhos do Evangelho de São João deste domingo: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,34b-35).
          Oxalá tal testemunho seja seguido por todos nós, Comunidade de Comunidades, convidados a repensarmos, convertermo-nos e tornarmo-nos verdadeiramente uma NOVA PARÓQUIA: acolhedora, descomplicada, presente na “periferia do mundo”, que é também, a proposta de nosso amado Papa Francisco!
          “Sendo o tempo pascal como ‘se fosse um só dia de festa’, nos é dada a oportunidade de compreender e experimentar melhor o amor de Deus que Jesus revela por meio dos ritos litúrgicos e que devem alcançar a totalidade da vida de seus discípulos. Neste período, oportunamente, a Igreja é convidada a portar-se como Cristo Ressurreto, porque está imbuída do seu Espírito. Com razão, Tertuliano chamava atenção para o fato de que estes cinquenta dias que se estendem, desde a Vigília Pascal, chama-se ‘Pentecostes’, pois seu Espírito, que é amor, foi derramado no coração dos fiéis. E para estes, durante este tempo, não cabe nenhuma atitude ou gesto de tristeza.
          “Deus nos reúne em nome de Cristo e nos encoraja a concretizar o sonho do novo céu e da nova terra. Este é o desejo de todos os que aspiram a um mundo sem injustiça, onde cada pessoa se sinta plenamente realizada. Fortaleçamos, nesta liturgia, os laços de amor que nos identificam como comunidade de discípulos (a exemplo de nossos Bispos) e discípulas de Jesus.
          Assim como fizeram as primeiras comunidades, vamos escutar a palavra de Deus e nos comprometer com sua proposta. Ela aponta para um novo mundo, sem tristeza nem dor, e conclama a todos para a vivência do amor.
          A comunidade se organiza para enfrentar as dificuldades e avalia a sua caminhada. Ao se despedir, Jesus deixa à comunidade o novo mandamento do amor. A comunidade fiel e perseverante procura concretizar a ‘nova Jerusalém’, dom de Deus.
          A verdade do amor que é o sacramento dos irmãos e irmãs, torna autêntico e frutuoso o sacramento eucarístico do pão e do vinho’ (cf. Liturgia Diária de Abril de 2013 da Paulus, pp. 83-85).
          A página do Livro do Apocalipse de São João nos apresenta um trecho em que se anuncia a superação de toda tristeza, porque há um novo céu e uma nova terra como ‘chão’ e ‘tenda’ sobre os quais repousará a humanidade descansada e feliz. Este desejo de felicidade, tranquilidade e paz habita o nosso mundo. Quantos e quantas não se esforçam por criar condições reais de segurança para que seus filhos e filhas possam brincar e ser felizes! Desde os mais pobres até os mais abastados, a busca por uma vida boa é uma constante na vida. Os meios para que se realize tal desiderio, no entanto, nem sempre são os mais condizentes com o Evangelho. Há os que se corrompem e afanam aquilo que não lhes pertence, e está designado para o sustento e promoção do povo, como o fizeram aqueles do famoso caso do mensalão ou aqueles políticos tidos como ‘ficha suja’. Homens e mulheres desta categoria pertencem a um mundo que já não existe segundo a Páscoa do Senhor, pois por meio desta não há lugar para sofrimento e dor. O que existe é uma nova cidade que despontou com Deus e participa de seu beneplácito, porque promove a justiça e a fidelidade à aliança. Há quem faça objeções a esta verdade de fé, apontando os sinais de morte que se espalham ao redor. Mas, sabemos que esta verdade se cumpre à medida que o amor de Cristo habita os cristãos e dá contorno à sua existência. É preciso que este amor tenha a proporção do amor de Cristo, pois toda injustiça surge quando o amor tem nossa medida” (cf. Roteiros Homiléticos  da Páscoa de 2013 da CNBB, pp. 54-59).
          Todo cristão é um “outro Cristo”, motivo pelo qual sempre deveria agir como o próprio Cristo age nas mais diferentes circunstâncias de nossas relações. Não podemos admitir que entre nós, existam pessoas passando fome, sendo exploradas e judiadas, especialmente por quem exerce algum serviço, seja eclesial, político ou social. Nosso amado Papa Francisco deseja uma Igreja pobre para os pobres! Saibamos seguir seu bom exemplo. Comecemos a revestir-nos de maior humildade, desprendimento, simplicidade e de profunda ternura: cristãos todos e todos os cristãos, nas diversas missões de serviço gratuito pela construção de um Reino de Deus alicerçado no amor, na verdade, na justiça, na liberdade e na PAZ!
Desejando-lhes copiosas bênçãos, com ternura, meu abraço fiel e amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler At 14,21-27; Sl 144(145); Ap 21,1-5 e Jo 13,31-35).



sábado, 20 de abril de 2013

HOMILIA PARA O QUARTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL


DOMINGO DO BOM PASTOR
DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;
eu conheço as minhas ovelhas e elas
me conhecem a mim” (Jo 10,14).

            “O quarto Domingo da Páscoa é tradicionalmente chamado de Domingo do ‘BOM PASTOR’. O título tem razão de ser, pois as leituras e as orientações nos levam a contemplar Jesus como o Bom Pastor, aquele que dá a sua vida pelas ovelhas. Na Páscoa, esse mistério é ainda mais acentuado quando se considera a morte e ressurreição do Senhor como a suprema doação da vida do Filho de Deus para a salvação do mundo.
          Mas, a oferta que Jesus faz de sua vida se prolonga na vida de muitos homens e mulheres que se entregam pela vida dos outros, doando-se abnegada e gratuitamente por causas das quais poderiam se eximir. Entretanto por decisão livre, por solidariedade, por reconhecimento de tudo o que são e possuem, movidos pelos impulsos do Espírito, religiosos ou não, fazem da sua existência um serviço de amor capaz de gerar vida nova e, em muitos casos, salvação.
          A Eucaristia é lugar privilegiado de reconhecer esses sinais do Ressuscitado espalhados na sociedade e no mundo. Ela nos abre os olhos e os ouvidos para contemplar a misteriosa ação de Deus na história, projetando a luz da fé sobre as coisas bonitas que a televisão, os jornais, e a cultura atual não querem mostrar. O cristão, que vive da vida nova do Ressuscitado, rompe com os esquemas que aprisionam a vida que Deus ofereceu para todos em seu Filho. Com a força e a coragem do Pastor, lutam pela universalidade da salvação que não ficou aprisionada nem à cruz e nem ao sepulcro.
          ‘Neste domingo somos convidados por Jesus, Bom Pastor, a fazer parte do seu rebanho e aprender dele o jeito de ser Igreja. Ele sustenta nossa vida, e suas palavras nos dão segurança: nada poderá arrebatar-nos de sua mão.
          A palavra de Deus não conhece fronteiras. Ela chega a todos os povos e nos reúne em torno do Ressuscitado, doador da vida eterna a quantos escutam a sua voz e o seguem.
          A palavra de Deus alcança a todos os que se deixam orientar por ela. Jesus, o verdadeiro pastor, doou sua vida para que todos tenham vida plena. Jesus é o Cordeiro imolado e o pastor que conduz todos às fontes da água viva’ (cf. Liturgia Diária de Abril de 2013 da Paulus, pp. 66-69).
          Dois aspectos enriquecem a vida cristã neste domingo: a comunhão e a doação de si. Jesus entra em comunhão com o seu rebanho e se doa voluntariamente pela salvação dos seus. Essa comunhão e autodoação têm sua fonte no amor entre o Pai e o Filho. Comunhão e autodoação é o modo de ser de Deus. Por meio de Jesus passa a ser o modo de ser dos cristãos. Por isso, a vida cristã não se afirma na indiferença, na distância ou na separação, mas no amor. Aquilo que para os outros é sem importância, porque não toca diretamente nossa vida, passa a ser importante, porque bebemos de uma fonte de amor. Assuntos e realidades como a fome, a violência, a dependência química, a injustiça que arranca os direitos essenciais à vida, as doenças, a corrupção, que criminosamente se propagam entre nós, são do nosso interesse e exigem ações da nossa parte em vista da vida e da salvação de todos. A experiência da ressurreição não pode ser entendida como graça particular, porém como missão, norma de uma vida aberta e devotada aos outros.
          Nem é necessário bancar o super herói atento aos atos criminosos ou perigos sofridos por outrem. A vida exige que trabalhemos, cumpramos nossas obrigações, façamos nossos deveres, como cuidar da casa, da família, da própria saúde, até mesmo do lazer e do descanso. Contudo, é preciso encontrar lugar para o amor abnegado, gratuito e desinteressado. Encontrar tempo para sair de si e encontrar o outro que necessita. Basta abraçar uma causa, dedicar-se a uma meta em prol de uma situação, agremiar-se a um grupo, dar sua contribuição para um mundo melhor. Quem sabe, assim, o amor de Deus se torna mais evidente a um mundo tão fechado e ensimesmado?” (cf. Roteiros Homiléticos da Páscoa de 2013 da CNBB, pp. 48-53).
Vivemos uma cultura da coisificação da pessoa. Se lhe atribuímos códigos e senhas. Não existe, porém, som mais deleitoso, do que ouvir alguém nos chamar pelo nome. Pessoalmente tenho grande dificuldade de guardar o nome das pessoas, embora não esqueça suas fisionomias. É algo que me entristece, porque é bom demais ser reconhecido pelo nome ao invés de identificado por códigos, apelidos pejorativos ou senhas. O que não suporto é o fingimento que muitas vezes disfarça nossa incapacidade de guardar na memória nomes de pessoas com quem nos relacionamos. Irrita-me profundamente quando alguém, seja ao telefone, seja pessoalmente, me peça que adivinhe quem é! Peço que se identifique de uma vez. Mas a questão de conhecer o rebanho, as ovelhas pelo nome e essas reconhecerem nossa voz é bem mais profundo e transcendente do que simplesmente lembrar o nome deste ou daquele colaborador em nossas Comunidades Eclesiais, Sociais, Políticas ou Profissionais.


‘Uma verdadeira conversão pastoral deve estimular-nos e inspirar-nos
atitudes e iniciativas de autoavaliação e coragem de mudar várias
estruturas pastorais em todos os níveis, serviços, organismos,
movimentos e associações’ (CNBB. DGAE. DOC. 94. N. 26).

          A sociedade atual, sobretudo os jovens e adolescentes, se move pela busca de figuras referenciais para sua vida. Os padrões editados pela mídia projetam modelos que condicionam as pessoas a assumi-los, por vezes com consequências nefastas. Cantores e artistas famosos, atletas bem sucedidos etc., alimentam o sonho de autorrealização, de fama e de ser um herói para milhões de indivíduos. Estes ‘ídolos’ mexem com o universo imaginário e simbólico das pessoas, sobretudo dos mais jovens.
          Jesus é o Bom Pastor, não simplesmente em oposição à figura dos pastores mercenários, mas porque valoriza e conhece suas ovelhas e é reconhecido por elas. Ele dá a vida por elas por uma opção de amor. Portanto, Jesus se apresenta à comunidade como Bom Pastor, movido pela lógica do amor e não por interesses e favores pessoais, a exemplo dos mercenários. Quem não ama sua comunidade (seu povo) até à doação de sua vida, não pode ser considerado pastor exemplar.
          O Dia Mundial de Oração pelas Vocações nos convida a rezarmos ao Senhor que envie pastores configurados com Cristo, o Bom Pastor! A começar dos Ministros Ordenados aos Agentes de nossas Pastorais, somos também convidados à conversão, à coerência e ao bom senso em nossas atividades, que devem estar sempre pautadas sobre o Projeto Evangelizador e Missionário de Jesus Cristo, o Bom Pastor! Quem não gasta sua vida pela Comunidade (o rebanho) corre o risco de compreender sua vocação como ‘meio de vida’, o que se torna geralmente um desastre. Por isso é fundamental conhecer Jesus Cristo ressuscitado e identificá-lo como o Bom Pastor a ser seguido.      Conhecer Jesus e tê-lo como modelo de vida implica conhecer seu amor e aderir ao estilo de seu agir. A mútua relação entre Jesus e os seus gera e nutre a relação de intimidade, de confiança, de diálogo, de pertença, de segurança. Não é em vão que a palavra pastoral evoca: zelo, cuidado, carinho, misericórdia, compaixão, amor, dedicação, ternura, atenção às pessoas e às suas necessidades.
ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
Jesus, Bom Pastor, que chamastes os apóstolos a vos seguir,
Continuai chamando pessoas generosas e de mente aberta
Para que deem continuidade à missão por vós iniciada.
A messe é grande, poucos os operários:
Necessitamos, Senhor, de bons e santos pastores.
Isto vos pedimos, a vós que viveis e reinais para sempre.
Amém.
Nossas Comunidades, com razão, são cada vez mais exigentes. Sejamos Bons Pastores para elas. Sejam elas, Queridas Ovelhas para nós.

          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura, o abraço amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler At 13,14.43-52; Sl 99(100); Ap 7,9.14-17 e Jo 10,27-30).