-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

domingo, 28 de julho de 2013

HOMILIA PARA O DÉCIMO-SÉTIMO DOMINGO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Senhor, ensina-nos a rezar,
como também João ensinou a seus discípulos” (Lc 11,1b).

          “Temos todos um Pai comum. Foi Jesus que nos ensinou a chamar Deus de Pai, nosso Pai, o que foi ousado e escandalizou muitos religiosos de então. Aparentava ser verdadeira blasfêmia. Afinal de contas ‘pai’ tem a ver com ‘parente’, e parente mais próximo. Portanto, a ousadia de Jesus de chamar a Deus de pai soava como se ele dissesse que Deus é nosso ‘parente’ mais próximo e que nós somos seus filhos e filhas: existe um ‘parentesco’ entre Deus e nós. E não é assim? Fomos, de fato, criados ‘à imagem e semelhança de Deus’ (Gn 1,27) e agora somos renascidos em Cristo.
          Gosto de pensar: queremos uma noção mais próxima de como Deus é? Basta olhar para o rosto do nosso semelhante. Somos semelhantes ao nosso Criador. Não somos deuses, mas parecidos com Deus! Muitas vezes agimos uns sobre os outros, como se fôssemos seus deuses, ou seus donos. O namorado diz para sua namorada: ‘eu te adoro!’ e vice-versa. Nós nos adoramos não como deuses, mas como semelhantes e isso nos torna ainda mais lindos. Isso nos torna Anjos uns dos outros! Por conta disso, também penso que não existem pessoas feias. As pessoas foram criadas lindas, porque à imagem e semelhança de Deus. Mas elas se fazem feias, na medida em que se distanciam desse ‘evento’ ou ‘parentesco’, cuja novidade nos é trazida pela Palavra proclamada neste Décimo-Sétimo Domingo Comum do Ano Litúrgico!
          Jesus resgatou a dignidade que havíamos perdido e voltamos a ser família de Deus, povo de Deus. É nesta experiência de vida nova que nos unimos, de maneira especial, aos milhares de jovens na Jornada Mundial da Juventude, que neste domingo está se encerrando. Que o Espírito Santo de Deus ilumine a juventude de hoje para que, iluminada pela Palavra de Deus, sinta-se fortalecida para o testemunho da fé em Cristo.
          ‘Na eucaristia descobrimos o rosto de Deus nosso Pai, que sempre se mostra favorável quando o invocamos em nossas necessidades. O tema da Jornada Mundial da Juventude que reuniu desde o dia 23 de julho milhares de jovens no Rio de Janeiro, com a presença de nosso amado Papa Francisco, é: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’ (Mt 28,19)’ e nos motiva a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo, a serviço do evangelho e do reino de Deus.
          Da mesma forma que Abraão, vamos nos pôr na presença de Deus, que quer nos comunicar sua palavra de salvação. Ele, que deu vida nova no batismo, agora nos dá a conhecer seu rosto e seu amor.
          A oração insistente e sincera do justo em favor do povo chega ao coração de Deus. Jesus nos ensina a pedir com insistência o que é fundamental na vida. Pelo batismo morremos e ressuscitamos com Cristo e nos tornamos novas criaturas. Já a oração eucarística, como ação de graças, súplica e intercessão universal, possui os múltiplos aspectos da oração perfeita de Cristo na cruz’ (cf. Liturgia Diária de Julho de 2013 da Paulus, pp. 83-86).
          Existem cristãos que, julgando-se esclarecidos, afirmam que as orações do nosso povo são muito egoístas, pois são quase sempre orações de pedido. Geralmente somos mais pidões do que agradecidos, também em nosso modo de rezar, até quando o fazemos conscientemente, como diálogo com Deus! Interessante que a Palavra deste Domingo acentua o contrário: é importante pedir, e até insistir no pedido. Abraão com seus incansáveis pedidos quase salvou as cidades de Sodoma e Gomorra. Infelizmente, as cidades eram ruins demais. Jesus, por seu turno, ensina aos discípulos o Pai-nosso, uma oração de pedido. O Pai-nosso pede inicialmente que a vontade de Deus seja feita. Ora, uma vez que rezamos em harmonia com a vontade e o desejo de Deus, podemos pedir bastante. O que não me parece justo é rezarmos para que a vontade seja feita, desde que coincida com a nossa. Precisamos antes, discernir qual é a vontade de Deus para conosco. Gostei muito, quando na sua homilia de posse, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, pediu-nos que rezássemos por ele. ‘Rezem por mim. Rezem para que eu não atrapalhe a graça de Deus em meu ministério...’. Quanta coragem e ousadia a de nosso amado Pastor! Mostrou-se um Homem de Deus, que quer sempre discernir a vontade e a graça divinas de Deus em sua vida.
          Será a oração em forma de pedido uma forma de oração mais egoísta que a meditação, a louvação, o agradecimento, a adoração? Parece que não! Na verdade, agradecer é a outra face do pedir. Quem agradece, gostou. Por que não pedir então? É reconhecer a bondade do doador! Como o frei que, depois de laudo almoço na casa de uma benfeitora, testemunhou sua gratidão com estas palavras: ‘Senhora, não sei como agradecer... será que posso repetir aquela gostosa sobremesa?’.
          De acordo com o espírito do Pai-nosso, devemos pedir antes de tudo a realização daquilo que Deus deseja: sua vontade, seu Reino. Ora, uma vez assentada esta base, pode-se pedir – com toda a simplicidade – o pão de cada dia, saúde, vida e todos os demais dons que Deus nos prepara. Inclusive, o perdão de nossas faltas. Só não se deve pedir a Deus o que Deus não pode desejar: a satisfação de nosso egoísmo. E sempre se deve lembrar que Deus sabe melhor do que nós o que nos convém. Podemos insistir naquilo que achamos sinceramente nosso bem... mas Deus sabe melhor.
          É importante pedir, pois pedir também compromete! Depois de ter pedido, a gente já não pode dizer: ‘Não pedi!’. Comprometer-nos com Deus e com aquilo que pedimos. Não é como no supermercado, onde você entra, olha e sai sem comprar. Assim as preces dos fiéis, na celebração da comunidade, devem ter sentido de compromisso: devemos querer mesmo que elas se realizem, e nos oferecemos a Deus para colaborar na realização daquilo que pedimos. Pedir é comprometer-se. Imaginemos Deus ouvindo nossas preces, como esta: ‘Perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...’ Se não perdoar o meu irmão, como peço a Deus que me perdoe? Se pedimos a Deus saúde, não é para gozar egoisticamente a vida, mas para servir melhor. ‘Quem não vive para servir, não serve para viver!’. Se pedimos paz, não é para sermos deixados em paz, mas para nos dedicarmos à comunhão fraterna. Se pedimos por nossos irmãos e irmãs mais pobres, é porque queremos ajudá-los efetivamente. Importa saber como pedimos (cf. Tg 4,3) (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 86-92).
          Saibamos rezar com mais consciência e fé madura, a oração que o Senhor nos ensinou, ao pedido de seus discípulos: O Pai-nosso! São sete pedidos. Será que nós, ao rezamos esta belíssima oração, temos plena consciência do que nela estamos pedindo? E se Deus realmente ouvisse nossos pedidos, como seria nossa vida, nossas relações com nossos semelhantes, aqueles que nos permitem “uma noção do rosto de Deus”?
          Sejam todos sempre abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Gn 18,20-32; Sl 137(138); Cl 2,12-14 e Lc 11,1-13).
         


domingo, 21 de julho de 2013

HOMILIA PARA O DÉCIMO SEXTO DOMINGO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
Felizes os que observam a palavra do Senhor
de reto coração e que produzem muitos frutos,
até o fim perseverantes!” (Lc 8,15).

          “Somos hóspedes de uma casa. Mais que hóspedes, somos já parte da família. Nossa casa é esta: este espaço físico e humano que nos abriga, esta comunidade cristã da qual fazemos parte, esta assembleia na qual vivemos uma experiência de fé. Isto é, acolhidos por Deus na pessoa de cada um de nós, aqui reunidos, sentimo-nos um corpo: corpo eclesial de Cristo.
          Nesta experiência de povo de Deus reunido, nos unimos desde já aos milhares de jovens que, nesta semana, se reúnem para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Que o Espírito Santo de Deus ilumine este evento e a todos fortaleça para o testemunho da fé em Cristo. Que saibamos ouvir, como Maria ouvia Jesus, os ensinamentos de nosso amado Papa Francisco! Não só os Jovens, mas todos, saibamos escolher a melhor parte!
          ‘Deus hoje nos acolhe em sua casa e nos convida a sentar aos pés de Jesus para escutá-lo e participar do banquete eucarístico que ele nos oferece. Somos desafiados pelo evangelho a ter o coração hospitaleiro de Maria e as mãos laboriosas de Marta.
          As leituras (deste domingo) nos convidam à abertura ao projeto de Deus e à hospitalidade, atitudes que revelam a presença do Senhor em nossa vida.
          A hospitalidade de Abraão é retribuída com a promessa do nascimento do filho. Acolher Jesus e sua proposta de vida é o melhor que podemos fazer. O evangelizador enfrenta com otimismo e esperança o sofrimento decorrente do empenho pelo bem da comunidade. A celebração eucarística também é uma ação de hospitalidade na qual Deus nos acolhe e nós acolhemos a Cristo e dele nos alimentamos’ (cf. Liturgia Diária de Julho de 2013 da Paulus, pp. 66-69).
          Um grande mal em nossa sociedade, e também na Igreja, é o ativismo, a falta de disposição para aprofundar o essencial, sob o pretexto de tarefas urgentes.
          Jesus é um exemplo para todos nós. Sua pessoa está prioritária e permanentemente focada no modo de ser do Pai. Pelo hábito desta escuta é que ele desenvolveu uma atitude de serena e saudável acolhida de tudo e de todos. É a partir daí que ‘Jesus observa a Marta que ela anda ocupada e preocupada com muitas coisas, enquanto uma só é necessária. Essa observação não é uma recusa da hospitalidade, mas indica uma escala de valores: a melhor parte é a que Maria escolheu! O que esta faz é fundamental e indispensável: escutar. O resto (as correrias pastorais, as reuniões) é importante, mas deve ter fundamento no escutar. Jesus censura Marta não porque ela cuida da cozinha, mas porque quer tirar Maria do escutar, para fazê-la entrar no ritmo de suas próprias ocupações. Marta não conhecia a escala de valores de Jesus.
          Podemos perceber, através da Carta aos Colossenses de hoje, que foi da identificação profunda com Cristo que Paulo tirou a força para seu surpreendente apostolado. Gente ocupada é o que menos falta. Mas sabemos muito bem que toda essa ocupação não tira em torno daquilo que é fundamental. Dá até pena de ver certas pessoas complicarem sua vida com mil coisas de que dizem que simplificam a vida. Ao lado delas encontramos o pobre, o lavrador, o índio, vivendo uma vida simples, mas com muito mais conteúdo e, sobretudo, com um coração sensível e solidário.
          A exemplo do nosso mestre Jesus, importa acolher (a Deus, a Jesus, aos outros) em primeiro lugar no coração. Só então as demais ações terão sentido. Isso vale na vida pessoal e também na vida comunitária. Comunidades que giram exclusivamente em torno de preocupações e reivindicações materiais acabam esvaziando-se, caem em brigas de personalismo e ambição. Mas comunidades que primeiro acolhem com carinho a palavra de Jesus num coração disposto saberão desenvolver os projetos certos e por a palavra de Jesus em prática. ‘Buscai primeiro o Reino de Deus...’.
          Que Deus nos ajude a vivermos este espírito do Evangelho trazido por Jesus. Que pela força da Eucaristia, na qual o Pai nos acolhe como corpo eclesial de Cristo, possamos viver a atitude de Maria para que, empenhados como Marta, mas conectados ao único e necessário, que é Palavra reveladora do Pai, trabalhemos com serenidade e paz pelo bem da humanidade” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 79-85).
          A Palavra de Deus  deste domingo nos coloca diante da Hospitalidade e de nossa Espiritualidade Eclesial: Ministros Ordenados, Agentes de Pastoral, nossas Comunidades são reconhecidos como bons cristãos por causa da hospitalidade e da espiritualidade ou por causa das intermináveis atividades, como construções materiais? Como é linda a Leitura Orante da Palavra que iniciam nossas reuniões, nossos encontros e atividades! O Padre Pitico nos tem incentivado, como grande Responsável pela Prioridade de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral, A Formação de Líderes, a ouvirmos antes de tudo o que a Palavra de Deus (em outras palavras, o próprio Mestre Jesus) tem a nos dizer!?! Não poucas vezes nos envolvemos com atividades que nem nos dizem respeito como: decoração de Templos, coordenação de Quermesses, sempre preocupados em arrecadar recursos financeiros para a manutenção de nossas Paróquias, que deveriam ser tarefas dos Conselhos constituídos e não dos Presbíteros. O que não podemos jamais deixar de lado, é a mais rica espiritualidade na administração dos Sacramentos que só os Ministros ordenados podem presidir: a Reconciliação, Unção dos Enfermos e a Celebração Eucarística. Para todas as demais atividades, podemos formar Líderes de Lideranças em nossas Comunidades. E que também esses desempenhem suas atividades pastorais e sociais, sempre e cada vez mais à luz da escuta de Jesus, como fez Maria, escolhendo assim a melhor parte.
          Finalmente poderíamos nos perguntar: sendo o tempo uma questão de prioridade, quais são nossas prioridades no hodierno do exercício de nossa missão eclesial e do nosso ministério? Rezamos o suficiente todos os dias? Somos fiéis, sentados aos pés de Jesus, e justos, em nossas decisões? Nossas Comunidades rezam ou cozinham melhor? Se é que sabem o que pretendo refletir, a começar de meu próprio ministério?
          Sejam muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Padre Gilberto Kasper
(Ler Gn 18,1-10; Sl 14 (15); Cl 1,24-28 e Lc 10,38-42).