-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 21 de setembro de 2013

HOMILIA PARA O XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM

MÊS DA BÍBLIA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

          “Domingo é o dia do Senhor, o dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e mudou para sempre o curso da história humana, oferecendo vida e esperança nova a quantos viviam nas trevas e na penumbra da morte. Esta é a razão pela qual os cristãos em todo o mundo se reúnem neste dia para louvar e agradecer a Deus as grandes maravilhas por Ele realizadas para nós.
          Nos reunidos no Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum para celebrar a Eucaristia, a mais completa de todas as ações de graças que se pode elevar a nosso Deus uno e trino.
          ‘Em espírito de oração e ação de graças, nós nos reunimos para celebrar a eucaristia, sacramento da alegria e da salvação. Somos convidados a ser criativos e fiéis na administração dos bens que Deus nos confia. Seguir Jesus implica romper com a ganância e pôr os nossos recursos a serviço da construção da fraternidade entre todos.
          Diante da maldade e da injustiça, Deus sempre se põe ao lado do injustiçado. Sua palavra nos revela seu projeto salvífico de vida e dignidade para todas as pessoas e seu desejo de que todos se beneficiem dos bens da criação.
          Deus se põe ao lado do pobre e não aceita que este seja lesado. A opção por Cristo afasta a ganância e cria novas relações de justiça e fraternidade. Em nossas orações, devemos nos lembrar de todos e por todos rezar.
          A eucaristia é a reunião dos filhos e filhas na mesma mesa. Não podemos celebrá-la dignamente se dela excluímos alguém e não somos solidários com os que passam necessidades’ (cf. Liturgia Diária de Setembro de 2013 da Paulus, pp. 66-68).
          A página do Livro da Profecia de Amós lança luz às palavras evangélicas. A ganância do mau administrador, a qual o levou a perder seu ‘tesouro’, não o constituído por dinheiro, mas o tesouro interior formado pelo bem praticado pelas qualidades advindas de uma vida reta, íntegra. Assim também, os comerciantes da época de Amós rompiam sua relação com Deus por não praticarem a justiça social, mas, ao invés, buscarem só vantagens pessoais.
          O Evangelho de São Lucas narrado neste domingo não é para ser compreendido com a razão puramente humana, mas com o coração cristão.
          A parábola mostra um mau administrador que não correspondendo à confiança de seu empregador, está ameaçado de perder o emprego, tendo que arcar com todas as penosas conseqüências desta situação. O que faz ele? Corrompe outros empregados, os levando a agir de modo tão desonesto quanto ele (Situação bem parecida com o mensalão e tantas verbas desviadas do bem comum, como escolas, hospitais, previdências em nosso País. Verbas que não chegam ao destino, mas seguem para bolsos corruptos. Prestações de Contas Públicas maquiadas que enriquecem alguns poucos, empobrecendo cada vez mais os menos favorecidos. Falcatruas em licitações desonestas e nem por último desvio de coletas e esmolas de nosso Povo bom e pobre, em nossas Comunidades Eclesiais. Sempre me pergunto: como pregar profeticamente contra as Injustiças Sociais, a Corrupção em nossos Governos, quando não fazemos diferente em relação às nossas Comunidades de Fé? Toda administração desonesta como desvio de verbas só acontece em grupo. Uma única pessoa necessita de uma multidão de coniventes, para que seja viável a corrupção. Assim, como no Evangelho, leva consigo, para a perdição um grupo de pessoas, muitas delas, não raras vezes, inocentes.). No entanto, porque o empregador elogiou o administrador desonesto? De fato, o que o empregador elogia não é a desonestidade, mas a prontidão com que o administrador buscou uma solução para seu problema, embora tenha sido a solução errada (É o caso dos numerosos Partidos Políticos, por exemplo. Uma vez partidário, deverá o indivíduo mesmo honesto, dançar a música que seu partido toca e nem sempre tal música é afinada com a ética e a justiça.). Ao final da narrativa, está a frase que conduz ao entendimento da parábola: ‘de fato, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz’. Isso significa que, muitas vezes, aqueles que não assumem os valores evangélicos são mais ágeis, mais astutos em seu agir, do que nós que pretendemos ter assumido os valores cristãos e, no entanto, nos acomodamos, não procuramos mostrar ao mundo os caminhos de salvação.
          São Paulo, escrevendo a Timóteo, comenta sobre o não se fechar em si mesmo, abrir-se aos irmãos e rezar por eles. O pequeno trecho desta carta nos transmite todo o sentido e significado da oração cristã” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II de 2013 da CNBB, pp. 29-35).
            Que a Palavra deste domingo nos lapide na relação com Deus, ajudando-nos a sairmos de nós mesmos, em relação aos outros, especialmente os que precisam mais do que nós. “Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes”. A questão da fidelidade, principalmente nos bens perecíveis, na busca de poder, prestígio e cargos, será sempre um desafio para todos os cristãos, especialmente nas dimensões políticas, eclesiais e também sociais.  Não deixemos nossas carências afetivas atrapalharem nossa fidelidade em relação ao que o Senhor nos pede. Saibamos despir-nos de nossas pretensões egoístas e passageiras, deixando a graça de Deus agir em nós, cada vez mais de graça. Não compremos honras, títulos e elogios. Deixemos que as pessoas nos reconheçam bons, pela bondade que por elas vivemos. A bondade, quanto mais gasta pelos outros, mais abundantemente se nos é concedida!
Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Am 8,4-7; Sl 112(113); 1Tm 2,1-8 e Lc 16,1-13).

domingo, 15 de setembro de 2013

HOMILIA PARA O XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM



MÊS DA BÍBLIA


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Alegrai-vos comigo,
Encontrei o que tinha perdido!” (Lc  15).

            Celebramos o Vigésimo Quarto Domingo Comum do Tempo Litúrgico, neste que é o Mês da Bíblia e que nos propõe o tema tão insistente: “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Lucas” pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB). Duas palavras poderiam resumir a Liturgia da Palavra deste domingo: misericórdia e reconciliação.
          “Apesar de nossas fraquezas e pecados, o Senhor não nos rejeita, mas, com amor e misericórdia, vem-nos ao encontro, como nosso Pai, quando dele nos afastamos. Alcançados e resgatados por seu Filho, somos convidados a abrir os lábios e o coração para o seu louvor.
          A Palavra de Deus nos assegura que Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores e que o Pai se mostra sempre disposto a perdoar quando a pessoa decide retornar o bom caminho.
          Moisés intercede em favor do povo pecador e Deus continua se mantendo aliado na caminhada. Deus não se cansa de procurar o pecador e o que está perdido.
          A celebração eucarística é a reunião da família de Deus, o qual acolhe na alegria do banquete também as filhas e filhos que estavam dispersos” (cf. Liturgia Diária de Setembro de 2013 da Paulus, pp. 48-51).
          “A página do Livro do Êxito, desenvolve em seu capítulo 32 a descrição da ruptura que o povo provocou em sua relação com Deus e a posterior renovação da aliança. O povo abandona Deus, mas Deus não abandona o povo. Moisés intercede junto a Deus pelo povo. Este texto prefigura, pois, a face do Deus misericordioso, desvelada por Jesus no Novo Testamento e tão belamente simbolizada nas parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo. O amor misericordioso se sobrepõe e prevalece acima de todos os demais sentimentos.
          O evangelho deste domingo, pela narrativa de três parábolas, nos leva a refletir sobre a pessoa que se afasta de Deus. É fácil pensar que tais ensinamentos não dizem respeito diretamente a nós, que nos reunimos em comunidade de fé, oração e amor, elevando nossa ação de graças ao Pai.
          Afinal, se com este objetivo nos encontramos, formamos assembléia, não estamos afastados de Deus. Portanto, as três parábolas se referem a outras pessoas, talvez mais pecadoras do que nós... Contudo, se afastarmos esta idéia e voltarmos o pensamento para dentro de nós mesmos e fizermos uma breve retrospectiva de nossa vida de fé, o que descobrimos? Lá bem no fundo, nos vislumbramos como a moeda perdida, a ovelha desgarrada, o filho que sai da casa do pai.
          Na parábola da ovelha, ao encontrá-la, o pastor ‘alegre a põe nos ombros’. Fica bem especificada a liberdade do retorno. A ovelha não é agarrada à força, não está se debatendo. É apanhada com carinho e mansamente se deixa conduzir.
          A pequena história da moeda perdida trás duas ações marcantes da mulher, ao iniciar a busca: acender a luz e procurar cuidadosamente. Se estivermos perdidos, afastados do Pai, somos buscados com cuidado, não de modo brusco ou violento. Seremos reencontrados em Deus com a ajuda da luz que é sua própria Palavra.
          Da conhecida parábola do filho pródigo emerge inúmeros simbolismos. Esta parábola nos dá os sinais que compõem o rico Sacramento da Reconciliação. Os passos de uma boa confissão estão nela contidos. E então percebemos quão rica é a misericórdia de Deus para com quem lhe vira as costas, mas retorna, se converte, volta-se novamente para ele com humildade!
          São Paulo começa a carta a Timóteo com um agradecimento ‘àquele que me deu forças, Cristo Jesus’. A seguir, ele afirma ter encontrado o coração misericordioso de Deus” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II da CNBB, pp. 22-28).
          Finalmente somos convidados a refletir: a qual personagem, em se tratando da parábola de um Pai Misericordioso com dois filhos mais nos identificamos: ao pródigo, que deixou a casa do pai e voltou anos depois totalmente “rasgado” em sua dignidade, ou ao filho mais velho que não controlou sua inveja porque seu irmão mereceu a misericórdia, sendo acolhido de braços abertos?
          Não poucas vezes, em nossas Famílias, Comunidades de Fé, na Política e na Sociedade, encontramos “Irmãos mais Velhos”: aqueles que se acham “certinhos” e não admitem ou não compreendem a misericórdia de Deus, que permite a quem quer que seja, tenha feito o que o que for, uma nova oportunidade, a verdadeira reconciliação com o próprio Deus, consigo mesmo e com os irmãos!
          Aprendamos a ser mais misericordiosos do que duros juízes em nossas relações com os irmãos! Sintam-se muito abençoados no Senhor que é Vida, Perdão, Misericórdia e Reconciliação. Só quem faz a experiência de perdoar e acolher o perdão sabe o quanto é saborosa a bondade de Deus!
          Com ternura e gratidão, meu abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ex 32,7-11.13-14; Sl 50(51); 1 Tm 1,12-17 e Lc 15,1-32).