-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 5 de julho de 2014

DÉCIMO-QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Provai de vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!” (Sl 33,9).



          “A página do Evangelho do Décimo-Quarto Domingo do Tempo Comum está entre as páginas mais intensas e profundas de todo o Evangelho;  na verdade é composta de três partes. A primeira é uma oração: ‘Te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra’, a segunda é uma narração dos feitos salvíficos de Deus em favor do seu povo: a revelação ‘destas coisas aos pequeninos’, a entrega por parte do Pai, de todas as coisas ao Filho – ‘Tudo me foi entregue por meu Pai’ e a profunda intimidade entre o Pai e o Filho que resulta na ‘revelação’ do rosto paterno de Deus àquele ‘a quem o Filho o quiser revelar’. Essas duas primeiras partes, oração e memória, nós podemos afirmar que são ‘eucarísticas’. A terceira para é um convite: ‘vinde a mim’.
          Os destinatários da revelação feita pelo Pai são os pequeninos, os humildes, os simples. Os pequeninos deste Evangelho são em primeiro lugar os discípulos de Jesus; todo e qualquer discípulo de Jesus, como é afirmado em Mt 10,42: ‘quem der, nem que seja um copo d’água fria a um destes pequeninos, por ser meu discípulo, receberá a vida eterna’. Geralmente quando chego a uma casa para visitar um enfermo ou idoso, ou para levar a bênção a uma família, pergunto ao ser interpelado, o que gostaria de beber: ‘Você quer ir para o céu quando morrer, o que deverá demorar?’ Me respondem que sim. Então reafirmo: ‘Então me dê um copo d’água’, referindo-me à afirmação desta orientação de Jesus no Evangelho de Mateus. As pessoas reagem positivamente, e oferecendo-me um copo d’água geladinha, dizem que me dariam uma fonte, se eu quisesse!
          Nesta perspectiva, no entanto, encontramos Jesus como o mais pequenino entre os pequenos, o mais humilde entre os humildes, o mais simples entre os mais simples. Tal imagem é evidenciada pela figura real, plena de contradições, apresentada na primeira leitura: o rei, o justo, o salvador. O rei é humilde e vem sentado num jumento; é justo porque vem eliminar ‘os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém e quebrar o arco de guerreiro’, mas o seu estandarte é a paz; é simples, mas tem um ‘domínio’ que se estende de mar a mar e de rios a rios, ‘até aos confins da terra’. Este rei do qual fala o oráculo é Jesus Cristo. Só quem é humilde sabe como é bom ser humilde e simples a exemplo do Senhor! Sábio é aquele que prefere a sabedoria de Deus em lugar de todos os bens e promessas humanas!
          Poderíamos interpretar esta página do Evangelho ‘ideologicamente’, pensando que Deus se revela, ou revela os mistérios do Reino, a uma categoria social e a outra não. Não falta quem pensa e prega assim. Mas isso não corresponde à mensagem de Jesus Cristo que não faz acepção de pessoas, ‘pois ele é Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam’ e têm lugar em seus corações para A Alegria do Evangelho! O Pai não ‘esconde o Reino’ aos sábios e inteligentes, mas ele o ‘protege’ dos que se arrogam inteligentes e se recusam a toda e qualquer forma de obediência e submissão àquele conhecimento que não vem necessariamente através da comprovação científica: o conhecimento da fé. O fechamento a toda revelação que vem do alto e portanto à fé, não é conseqüência da inteligência, mas do orgulho. A falsa idéia do homem de pensar saber tudo de todas as coisas anula e bloqueia o conhecimento de Deus, eis porque a Bíblia afirma que ‘Deus resiste aos soberbos, mas dá a graça aos humildes’  (Tg 4,6).
          É verdade que muitas vezes os ‘humildes’ são identificados com os ‘pobres’, o que não quer dizer, necessariamente, que os desprovidos do bem material sejam humildes. Pobreza e humildade são sinônimas na Bíblia de abertura e disponibilidade à novidade, à disponibilidade à dependência de Deus, e estes se opõem por natureza à riqueza/grandeza como sinônimo de autossuficiência, que é uma espécie de orgulho que consiste na recusa de toda dependência e na reivindicação de uma autonomia absoluta com relação ao próximo e a Deus.
          O convite de Jesus é feito a todos nós, mas especialmente àqueles que entre nós estão cansados e afadigados sob o jugo da superfluidade que nasce da busca desenfreada por essa ‘pobre riqueza’: o poder, o cargo, o prestígio, o querer ser melhor sobre os demais... (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de Junho/Julho de 2014 da CNBB, pp. 45-50).
            Para muitos sermos ricos, só nos falta o dinheiro, porque até “panca de ricos” já temos em nossos hábitos e comportamentos com relação aos que são ainda mais pobrezinhos do que nós. Gosto sempre de pensar que existe um abismo entre ser sábio e sabido: sábio é aquele que sempre está aberto à graça de Deus, vivendo-a exaustivamente na relação com os irmãos. Já sabido é aquele que pensa saber de tudo, mas fechado à graça de Deus, deixa a prepotência e arrogância fazer com que se sinta superior em relação aos outros. Endeusa-se sobre os mais fracos, fazendo-os sofrer. Cuidemos disso em nós. Rezemos para que nos configuremos sempre mais com Cristo!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço fiel,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Zc 9,9-10; Sl 144(145); Rm 8,9.11-13 e Mt 11,25-30).

domingo, 29 de junho de 2014

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Dia do Papa
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
O Décimo Terceiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – as duas grandes Colunas da Igreja de Jesus Cristo: “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação” (Prefácio próprio da Festa).
          “Celebramos a Páscoa do Cordeiro na vida e na ação evangelizadora de Pedro e Paulo. Apóstolos, fundadores da Igreja, amigos e testemunhas de Jesus. Agradecemos sua fé e empenho missionário. E celebramos o Senhor que os escolheu e os enviou para serem seus principais parceiros no grande mutirão em favor da vida, assumindo na Páscoa e dinamizado pelo dom do Espírito Santo.
          Esta é uma celebração antiquíssima. Existia antes da festa do Natal. Ela ajuda a nos achegarmos à fonte da vida cristã, ou seja, à Palavra de Deus e à Eucaristia que eles viveram intensamente e que nós estamos para celebrar no espírito de Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia! A Conversão Pastoral da Paróquia (Documentos da CNBB 100).
          Diferentes no temperamento e na formação religiosa, exercendo atividades diversas e em campos distintos, chegaram várias vezes, a desentender-se. Mas o amor a Cristo, a paixão pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem do testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em Roma sob o imperador Nero (54-68 D.C). Pedro foi crucificado e Paulo, decapitado.
          Ao celebrar a Páscoa dos dois grandes apóstolos, a Igreja lembra que em todas as comunidades estão presentes os fundamentos da missão evangelizadora: a vida eclesial, com sua dinâmica de comunhão e participação, e sua ação transformadora no mundo.
          No testemunho de Pedro e Paulo, temos duas dimensões diferentes e complementares da missão, como seguidores de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho os uniram na vida e no martírio. Neles, quer na vida, quer no martírio, prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes, mas é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram dele.
          Por isso, são figuras típicas da vida cristã, com suas fraquezas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas morre por Ele e com Ele. Convertido, Paulo se torna propagador do Evangelho de Cristo, sofrendo como Ele sofreu, encarando a morte como Jesus a encarou.
          A comunidade, alicerçada no testemunho de Pedro e Paulo, nasce do reconhecimento de quem é Jesus. Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão, morte e ressurreição.
          Quando o testemunho cristão é pleno, o próprio Jesus age na comunidade, permitindo-lhe ‘ligar e desligar’. O poder que Jesus tem, as chaves do Reino, é entregue a nós, seus seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse poder pelo testemunho e pelo serviço em favor da vida. Organiza-se como continuadora do projeto de Deus, a partir da prática do mestre, promove a vida e rejeita tudo o que provoca a morte.
          Jesus de Nazaré é para nós o mártir supremo, a testemunha fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da morte e ao aparato repressor: ‘A memória subversiva de tantos mártires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade de nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular’.
          ‘Vidas pela vida, vidas pelo Reino! Todas as nossas vidas, como as suas vidas, como a vida dele, o mártir Jesus!’.
          Animados pelo testemunho de Pedro e Paulo, vamos ao encontro do Senhor que dá razão e sentido à nossa vida. Acolhendo sua Palavra, renovamos nossa adesão a Cristo e ao seu projeto.
          Professamos com alegria nossa fé na Igreja una, santa, católica, apostólica, aberta à comunhão universal e visceralmente missionária e proclamada da vida digna para todos.
          Participando a Eucaristia, somos identificados com Cristo e confirmados no seu caminho, para sermos disponíveis aos nossos irmãos e irmãs, até a morte, como marcas da identidade cristã.
          Hoje rezamos especialmente pelo Papa Francisco, Bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo. A missão do Papa é zelar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e ao seu projeto, realize com humildade e coragem o anúncio do Evangelho, cada vez mais inculturado, profético e aberto a todos.
          Supliquemos para que o Papa e todos os pastores sejam pétrus nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho na condução da Igreja como servidora da vida, como sinal e instrumento da comunhão entre os povos” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 51-57).
          Com facilidade emitimos opiniões errôneas, quando não medíocres em relação à autoridade e ao serviço do Santo Padre, o Papa! Talvez a celebração de hoje seja uma oportunidade de remissão, conversão e renovação de nossa fidelidade ao sucessor de Pedro, o Papa Francisco. Frequentemente me pergunto: quem sou eu para emitir qualquer crítica, desrespeitar ou até mesmo questionar a autoridade = serviço do Papa? Homem que se despe totalmente de si mesmo. Deixa para trás até o próprio nome e toda sua liberdade, para estar totalmente a serviço da Igreja de Jesus Cristo que lhe é confiada ao coração, colocada nos ombros, como a ovelha debruçada sobre o Bom Pastor. Só o fato do sim do Papa já basta para que mereça o carinho, a ternura, a fidelidade de todo cristão, que debruça sua fé sobre o evento da “confirmação de Pedro”, continuado em nossos dias na pessoa totalmente a serviço do Reino de Deus, o amado Santo Padre o Papa Francisco. Somos, também, convidados a rezar por nosso Papa Emérito Bento XVI, que se retirou e a exemplo de João Batista, deu lugar a alguém com maior vigor, mais saúde e menos idade, a fim de conduzir não a própria, mas a Igreja amada de Jesus Cristo, da qual todos somos filhos queridos. E seu Sucessor, o Papa Francisco, é eleito como o PAPA DA TERNURA!
          Nesta solenidade, a Igreja do mundo inteiro, realiza a Coleta do Óbolo de São Pedro. Com esta coleta o Papa socorre a humanidade em suas necessidades, especialmente em situações emergenciais, em nome dos Católicos do mundo. O resultado das Coletas realizadas em todas as Celebrações deste domingo deverá ser remetido à Cúria, que dará seu verdadeiro destino, fazendo-o chegar aos cuidados do Vaticano. Por vezes há resistência à Coleta do Óbolo de São Pedro por pura ignorância. Nem sempre as pessoas conhecem o bem que fazem, sendo generosas. Todos que se sentem dignos de serem cristãos, são conclamados a partilharem de sua pobreza em favor de quem tem menos. Pois é em nome da Igreja Católica Apostólica Romana, que o Santo Padre socorre nossos irmãos que são vitimadas pela fome, pela miséria, por catástrofes, como terremotos, enchentes e tantas outras ocasiões. Sejamos sensíveis e coerentes entre o que celebramos, pregamos e doamos.
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel.
Padre Gilberto Kasper
(Ler At 12,1-11; Sl 33(34); 2Tm 4,6-8,17-18 e Mt 16,13-19)