-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 20 de setembro de 2014

VIGÉSIMO QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor.
se clamar por mim em qualquer provação,
eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.

            “O Senhor é nossa salvação e está sempre pronto a ouvir e atender nossos clamores. Ele nos convida a participar da construção do reino de Deus e nos oferece a possibilidade de receber seus dons, ouvir sua palavra e experimentar seu amor para com toda a humanidade.
          Nossos pensamentos estão, às vezes, muito longe dos pensamentos de Deus. As parábolas de Jesus nos deixam inquietos precisamente porque mostram que a bondade e a justiça divinas superam nossos cálculos mesquinhos.
          Sempre é tempo de conversão, de buscar o Senhor. O cristão deve surpreender pela sua bondade com os mais fracos. A preocupação principal do evangelizador é dedicar-se à comunidade para que ela viva conforme o evangelho.
          A eucaristia nos dá ocasião de agradecer a Deus pelos dons recebidos e apresentar os frutos que a semente da palavra produziu em nós” (cf. Liturgia Diária de Setembro de 2014 da Paulus, pp. 65-68).
          A Palavra de Deus do Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum nos faz uma pergunta muito pertinente: “Você está com ciúme porque estou sendo generoso?” As situações de ciúme e de inveja são muito percebidas e sentidas em nossas relações, as mais diversas: pessoais, familiares, eclesiais, sociais, políticas e de mercado de consumo...
          O Evangelho deste domingo nos leva a pensar no trabalho, na oportunidade de emprego, no sustento da família e na vida digna para todos. Angustia ao coração humano e sensível, muito mais à consciência dos cristãos, a multidão de desempregados, as pessoas que passam fome, a falta de moradias dignas, as injustiças sociais e do outro lado, o número privilegiado de pessoas ricas e poderosas que pouco se importam com os que não têm pão, casa e emprego. É uma divisão complicada e fere profundamente o coração humano.
          A liturgia deste Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum – No Mês da Bíblia - nos ajuda a fazer uma reflexão sobre essa situação e nos aponta caminhos na perspectiva do patrão que saiu a contratar operários, desde a primeira hora, para trabalhar na sua vinha. Porém a liturgia corre o risco de ser lida e entendida de uma maneira espiritualista. Mas ela tem sérias implicações econômicas, políticas e sociais. A vinha, símbolo do povo de Israel, tem a missão de garantir vida e segurança para todos. O Senhor cerca e cuida dela para que produza frutos.
          Mas que frutos e para quem? A história da Igreja e dos cristãos é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Vinha são os espaços dignos e alimentos necessários para os filhos e filhas de Deus. A Igreja e a comunidade têm a missão de cuidar dessa vinha para que produza justiça, liberdade e pão para todos.
          Recordamos hoje o apóstolo e evangelista São Mateus que apresenta Jesus como o Mestre da Justiça. Lemos seu Evangelho neste ano do calendário litúrgico.
          Para uma melhor compreensão da parábola do patrão justo, é bom ler Mateus de 19,30 até 20,16. Existe uma moldura para essa parábola: “Muitos primeiros serão últimos e últimos serão primeiros”.O versículo inicial anuncia a inversão de valores, e o final explica a relação correta entre Deus e a humanidade. É no trabalho cotidiano que Deus se revela e nós demonstramos nosso empenho pela justiça.
          Deus não é injusto ao ser generoso. A bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos [...] Lembro-me ao meditar a Palavra deste domingo, de uma frase que marcou muito minha vida, proferida sempre por minha saudosa mãe: “Meu Filho, o combinado não sai caro!...”, querendo ensinar-me que devo sempre cumprir com o prometido, e fazer até mesmo mais do que prometi, quando estiver ao meu alcance. Isso não nos parece claro no Evangelho? [...] O que importa não é o quanto fazemos, mas o como fazemos.
          Deus ultrapassa todas as nossas limitações e o nosso jeito de entender a vida.  Tanto quanto as nuvens estão longe de nosso chão, assim são nossos planos de Deus com relação à nossa estreiteza de visão e de projetos. Mas Deus se deixa encontrar, está em nossos caminhos para transformá-los em caminhos de Deus. Isaías nos revela que Deus nos convida a abandonar nossas maquinações e assumir a generosidade de Deus. Assumindo o projeto de Jesus, nossos caminhos se aproximarão do caminho do único “Patrão” que devemos ter. “Patrão” que é o Pai de Jesus, Pai Nosso!
          Ciúme e Inveja atrapalham relações harmoniosas entre as pessoas. Um bom exercício para nós, nesta Vigésima Quinta Semana do Tempo Comum, poderia ser uma profunda revisão, desde as entranhas de nossa intimidade, o quanto temos sido generosos com os outros e o quanto temos prejudicado os outros em suas atividades pessoais, familiares, sociais, eclesiais (principalmente em nossas Comunidades e, sobretudo entre nós clérigos, já que não conheço pior dano do que a Inveja Clerical), políticas (quantos horrores ouvimos entre nossos políticos!..., dos interesseiros, que somam lamentavelmente a maioria, já que honestos dificilmente sobrevivem ao sistema corrupto e diabólico de nossa falsa democracia), profissionais e tantas outras atividades, até mesmo na esfera do voluntariado?
          Concluo minha reflexão com Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas, lindas, a raiva e a coragem. Raiva do estado das coisas e coragem para mudá-las!”. Não nos falte a Esperança de que podemos mudar as coisas, se quisermos e usar da coragem que o Senhor nos confere!
Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 55,6-9; Sl 144(145); Fl 1,20-24.27 e Mt 20,1-16).


domingo, 14 de setembro de 2014

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo, mas para que o
mundo seja salvo por ele” (cf. Jo, 3-17).

          “A festa da Exaltação da Santa Cruz, da qual deriva o rito da ‘Adoração da Santa Cruz’ na Sexta-feira Santa, tem origem no Oriente, com a celebração da dedicação das basílicas constantinianas no Gólgota e no Santo Sepulcro, no dia 13 de setembro de 335. Por volta do século VII, no dia 14 de setembro, surgiu o costume de expor a relíquia da Cruz aos fiéis que, segundo uma tradição, fora encontrada neste dia. Esta prática se sobrepõe à da festa da dedicação das basílicas, sobrepondo-se também o dia 14 ao dia 13.
          Em Roma, encontramos testemunhos desta festa por volta do século VII. Mais tarde, à festa foi acrescentada a comemoração da vitória de Heráclito sobre os persas em 630, dos quais foram recobradas as relíquias da Cruz, solenemente levadas de volta a Jerusalém. No início do século XIII, porém, a festa reforçou aquele segundo motivo com a prática da veneração das relíquias da Cruz feita pelo Papa e os Cardeais na Igreja Estacional de São Silvestre, sendo seguida de uma procissão até a Basílica de São João de Latrão ao canto do Te Deum. Na Lateranense celebrava-se a hora média do Ofício Divino e depois a Celebração Eucarística presidida pelo Papa.
          A Cruz para os judeus significa vergonha e escândalo; – castigo reservado ao pior dos bandidos na época de Jesus – para os Romanos, loucura, mas para nós Cristãos, a Cruz é sinal de Salvação!
            A Cruz é um grande sinal de contradição: expressão da morte ignomínia de Jesus como malfeitor, que provocou questionamentos e gerou inseguranças na ordem estabelecida pelos poderes religiosos e políticos e, ao mesmo tempo, sinal de entrega e esvaziamento – kenosis – de Jesus, obediente ao projeto do Pai de salvar a humanidade (conforme a Carta de São Paulo aos Filipenses), e isso lhe custou a morte de Cruz. Humilhação e doação de vida.
          Apesar do rechaço – lugares e instituições que não aceitam mais manter uma Cruz em seus espaços públicos – e da banalização – pessoas que ostentam a Cruz no peito como forma de demarcação das chamadas tribos urbanas -, a Cruz é para nós cristãos o sinal maior da nossa adesão a Jesus Cristo e da proclamação de sua ação salvadora.
          Exaltá-la por uma festa própria nos põe no centro da nossa espiritualidade cristã da vida que nasce do ‘dom de si’ de Jesus, para que o mundo tenha vida. De fato, afirma São Paulo: diferente dos judeus, que se escandalizaram da Cruz e dos pagãos que afirmam ser uma loucura perder a vida pelos outros, ‘nós, porém, proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. (...) Pois, o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens’ (1Cor 1,23.25).
          Há uma semana participamos do Grito dos Excluídos em nossas Dioceses e Regionais. Como o Mistério de Cristo ilumina a nossa realidade, não podemos nos esquecer da Cruz dos crucificados de hoje: pobres, idosos, crianças em risco e sem escola, moradores de rua, minorias, irmãos e irmãs traficadas e exploradas sexualmente, ‘rebaixados’ da sua condição humana e exaltados por sua condição de Filhos e Filhas, adquirida pela entrega salvadora de Cristo na Cruz. A humilhação de Cristo é solidariedade de Deus aos que ainda hoje são rebaixados e diminuídos.
          ‘Pusestes no lenho da Cruz a salvação da humanidade, para que a vida ressurgisse de onde a morte viera. E o que vencera na árvore do paraíso, na árvore da Cruz fosse vencido’ (cf. Prefácio Próprio da Festa). A morte veio da árvore do paraíso terrestre por meio de Adão. Mas, em Cristo, a vida ressurge. E o mal que vencera Adão, foi vencido por Cristo através da Cruz. A Cruz de Cristo é, portanto, o sinal de sua vitória e não de sua derrota; sinal da sua glorificação, vencendo a morte” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II da CNBB de 2014, pp. 14-19).
          Assim como não deve ter sido fácil ao entendimento humano na época da entrega total de Jesus na Cruz, ver o fim tão trágico daquele que todos esperavam ser o Senhor todo poderoso, ainda hoje, muitos não compreendem essa “loucura de Deus”, de deixar seu Filho entregue ao pior dos castigos, a Cruz. Com o Papa Francisco, afirmamos que é impossível chegar à Vitória, sem antes passar pela experiência da Cruz! O mistério da cruz não deve ser compreendido, mas acolhido no tesouro de nossa fé, que emerge da intimidade com Deus na pessoa de Jesus Cristo. Só quem é, de verdade, amigo de Jesus, crerá incondicionalmente no mistério da Cruz. Mistério não se explica, se aceita ou não! É na Cruz que encontramos meios eficazes de nossa santificação. Pois ela é nosso passaporte para a Ressurreição! Só então seremos verdadeiros cristãos! Muitas vezes nossa Cruz é alguém muito próximo, que precisa de nosso carinho, de nosso abraço, de nossa misericórdia e de nossa doação cheia de amor com sabor divino: totalmente desinteressado e gratuito!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,        
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Nm 21,4-9; Sl 77(78); Fl 2,6-11 e Jo 3,13-17).