-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

segunda-feira, 16 de abril de 2012

SERIA CRUEL, NÃO FOSSE DIABÓLICO



SERIA CRUEL, NÃO FOSSE DIABÓLICO

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.


Quando falamos de Pessoa Humana, pensamos naquela pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, e não na pessoa que criou Deus à sua imagem e semelhança. Não cabe a nenhuma autoridade, nem mesmo ao Supremo Tribunal Federal, julgar pautado em silogismos, a dignidade que é atribuída à criatura predileta do Criador, a pessoa. Descrever o útero de uma mãe que carrega dentro de si um feto anencefálico de “caixão”, seria cruel, não fosse diabólico.
Sabemos que “silogismo” é a dedução formal em que, postas duas proposições, as premissas, delas se tira uma terceira, a conclusão. No Brasil, o aborto não é considerado crime quando há risco para a vida da mãe ou quando a gravidez é resultado de estupro. Agora a Suprema Corte em quem toda a nação deposita sua confiança, decide que também não é mais considerado crime abortar fetos anencefálicos: criancinhas gestadas sem cérebro. Garantem que só nestes casos, e em nenhum outro mais, é permitido o aborto, sem ser considerado crime.
Os Ministros da Suprema Corte levaram 7 anos, 9 meses e 26 dias para chegar à cruel decisão do último dia 12 de abril de 2012. Daqui há alguns anos, o Supremo Tribunal Federal será formado por outros Ministros, que poderá usufruir das decisões do atual com ainda maior ousadia, a não ser que se considerem imortais, colocando-se no lugar do Criador, esquecendo suas condições de meras criaturas, que esperávamos, garantissem a dignidade da vida humana aos Brasileiros. Isso, se não forem “abortados” de suas cadeiras no STF por desrespeito à vida humana ou por conta de algum escândalo, desses que estamos acostumados a assistir no Congresso Nacional. Não estaríamos caminhando para uma situação de eugenia, de total desrespeito aos direitos humanos?
Daqui há pouco determinar-se-á que abortar um feto sem o dedo menor, sem uma das mãozinhas ou alguma outra anomalia também não será considerado crime. Sim, porque não cansamos de ouvir de nossos Governantes, de que a saúde da mulher, também da abortiza, deve ser uma questão de “Saúde Pública”. Sabemos que a Saúde Pública de nosso País não consegue nem curar a dor de barriga de seus cidadãos. Teria o SUS condições de amparar, zelar e assumir a saúde das mães pobres e grávidas, especialmente em pré-natal? Nem as pessoas conveniadas conseguem agendar exames mais sofisticados, como ultrassom ou outros? Quantas mães grávidas morrerão nas filas de mais de dez horas, quando não dias de espera por um atendimento realmente digno?
Algum dos seletos leitores conhece alguém que tenha cometido aborto, julgado, condenado e preso? Pois lhes garanto que conheço centenas de mulheres presas ao próprio remorso e arrependimento e, nos procuram 50 ou 60 anos mais tarde para afirmarem que não conseguem perdoar-se de jeito nenhum. Tais traumas psicológicos são diferentes dos de uma mãe que descobre gerar uma vida, mesmo que anencefálica?
A Nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB sobre o assunto de Nº 0340/12 é de profundo lamento: “Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja”.
Também em nome dos alunos do Curso de Bacharel em Teologia da UNIESP, que coordeno; da Reitoria Santo Antônio, Pão dos Pobres; do Centro do Professorado Católico da Arquidiocese de Ribeirão Preto e de todas as Mães que atendo em direções espirituais, independente de suas crenças e profissões religiosas, registro a mais profunda decepção em relação ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54. Sentir-se “criador” e perder a noção de que somos meras criaturas, seria cruel, não fosse diabólico! Continuamos convictos de que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

HOMILIA PARA O SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“O Segundo Domingo do Tempo Pascal nos introduz no “Tempo em que celebramos a ressurreição do Senhor, como único e grande dia, que se estende desde o Domingo da Páscoa ao domingo de Pentecostes. ‘Os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, como um grande domingo’ (Normas Universais ao Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral, n. 22).
Celebramos o domingo da Divina Misericórdia, instituído por João Paulo II, Beato, e damos graças ao Senhor por seu eterno amor por nós, sempre disposto a nos perdoar, sempre que nosso coração arrependido volta-se para ele. [...] Escolhi como lema de minha Ordenação Presbiteral, a quinta Bem-aventurança do Sermão da Montanha de Jesus: ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’ (Mt 5,7), justamente porque não obstante meus incontáveis limites, o Senhor me quis Sacerdote, tamanha Sua Misericórdia por mim! [...] Como Tomé, exclamamos maravilhados: ‘Meu Senhor e meu Deus’. [...] Desde criança aprendi que a profissão da fé de Tomé seria a ideal, cada vez que fizesse a genuflexão diante do Cristo Sacramentado, seja na Hóstia Consagrada exposta, seja escondida no Sacrário. Por isso, quando coloco o joelho direito no chão, em sinal de adoração ao Senhor presente no mistério de nossa Fé, a Eucaristia, digo com a poesia de meu coração: ‘Meu Senhor e meu Deus’. Também quando ergo Jesus transubstanciado de um pedacinho de pão em Seu Corpo e de um pouquinho de vinho no Seu precioso Sangue, meu coração remete aos meus lábios a mesma expressão: ‘Meu Senhor e meu Deus!’.
O primeiro encontro de Jesus ressuscitado com seus discípulos é marcado pela saudação feita por Ele: ‘A paz esteja convosco’. Por duas vezes o Ressuscitado deseja a paz a seus amigos. Em seguida, os envia em missão, soprando sobre eles o Espírito. Buscar e construir a paz é missão dos seguidores do Ressuscitado, pois o Reino de Deus, anunciado e realizado por Jesus e continuado pelas comunidades animadas pelo Espírito, manifesta-se na paz. Reino de Justiça, Paz e Alegria como frutos do Espírito Santo. O Apóstolo, amigo de Jesus, ressalta que a paz, para ser autêntica, deve ser trazida pelo Cristo. Uma paz diferente da paz construída pelos tratados políticos. Paz (é shalom) significa integridade da pessoa diante de Deus e dos irmãos. Significa também uma vida plena, feliz e abundante. Paz é sinal da presença de Deus, porque o nosso Deus é um ‘Deus da Paz’(Rm 15,33). Paz significa muito mais do que ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo o necessário para viver, convivendo felizes.
A comunidade, que abre suas portas, acolhe o Senhor e o segue é enviada pelo Espírito do Ressuscitado a testemunhar o amor do Pai, isto é, a prolongar, no curso dos tempos, a oferta da vida que, em Jesus, Deus fez à humanidade. O reino da vida que Cristo veio trazer é incompatível com as situações desumanas em que vivem mergulhados milhões de seres humanos. ‘Como discípulos e missionários, somos chamados a intensificar nossa resposta de fé e a anunciar que Cristo redimiu todos os pecados e males da humanidade’ (Documento de Aparecida, n. 134).
O cristão isolado (ausente da comunidade) é vítima do egoísmo e exige provas para crer. É na vida da comunidade que encontramos as provas de Jesus que está vivo. Ser cristão, hoje, requer e significa pertencer a uma comunidade concreta, na qual se pode viver uma experiência permanente de discipulado e de comunhão. Por esta razão, a marca registrada deste Segundo Domingo da Páscoa é a fé, vivida em comunidade. É em comunidade que se realiza o encontro com o Ressuscitado e a experiência de uma vida nova” (cf. Roteiros Homiléticos n. 21 da CNBB).

Acolhamos o dom da paz e do Espírito que nos constitui em artífices de relações novas, reconciliadas e fundadas na justiça e na misericórdia.
Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler At 4,32-35; Sl 117(118); 1Jo 5,1-6 e Jo 20,19-31)