-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 30 de março de 2013

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

 
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A Vigília Pascal é a celebração da Ressurreição por excelência. Seu caráter de vigília não se refere à preparação da festa, mas tem raízes na celebração da vigília dominical, presente na origem do culto cristão, em que se começa a celebrar o Dia do Senhor ainda no sábado, desembocando no amanhecer do Domingo. A Vigília Pascal, portanto, não é ‘vigília’ à espera de uma festa, mas a própria festividade; a mais importante que ocorre no Domingo de Páscoa. A solenidade do terceiro dia do Tríduo Pascal. A celebração da Vigília Pascal consta de quatro momentos que costumamos designar como: Liturgia da Luz, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística. É verdade que, de modo bem semelhante ao que ocorreu às mulheres diante do sepulcro vazio, os acontecimentos da vida nem sempre nos parecem fáceis de interpretar, de modo que através deles reconheçamos a Páscoa de Cristo nos envolvendo. Ao nos depararmos com a crueza da violência urbana, a rapidez com que as pessoas são destruídas pelo uso do crack nas grandes cidades, a luta interminável dos povos indígenas de nosso país em conseguir seu pedaço de chão para sobreviver, a perseguição daqueles que se põem ao seu lado, a corrupção institucionalizada no setor político-financeiro... Tudo o que contemplamos com nossos olhos não parece testemunhar a vitória de Cristo sobre a morte. Parece que estamos a procurar entre os mortos aquele que está vivo. Somente quando nos reconhecemos dentro da História da Salvação e percebermo-nos indissoluvelmente identificados com o Cristo morto-ressuscitado, ao recordarmos suas palavras, é que começamos a vislumbrar a Páscoa. É interessante verificar que o relato de Lucas, na bíblia, não termina com a admiração de Pedro voltando para sua casa. Na bíblia, segue-se com o episódio de Emaús – previsto para ser proclamado na celebração vespertina do Domingo da Páscoa – e na conclusão deste uma citação de que o Senhor havia se manifestado a Simão. Mas a Liturgia da Vigília, de maneira proposital, nos deixa com aquele mesmo suspense, com aquele mesmo ar de surpresa como se estivéssemos à espera da visita do Senhor, de maneira que ele se mostre para nós que, às vezes, só conseguimos perceber os indícios da morte, pois como Pedro vemos apenas os lençóis. ‘Cristo Ressuscitou. Vida nova se inicia: tristeza e desânimo pertencem ao passado; esperança e otimismo contagiam nossa existência. Jesus venceu a morte e vive para sempre junto à nossa comunidade e a cada um de nós. Acompanhemos Maria Madalena ao túmulo e ouçamos dela a alegre notícia: Jesus já não se encontra entre os mortos, mas está vivo e presente entre nós. Enquanto a humanidade destrói e mata, Deus ressuscita e dá vida. O amor nos faz acelerar o passo na busca dos objetivos. A presença do Ressuscitado provoca vida nova na comunidade’ (cf. Liturgia Diária de Março de 2013 da Paulus, pp. 97-113). O texto de João que proclamamos, na celebração da Páscoa, conjuga o ‘primeiro’ e o ‘terceiro’ dia. O Domingo – Dia do Senhor – é ocasião concreta, experimentável para que os cristãos possam descobrir que Cristo Ressuscitou, segundo o testemunho das Escrituras. O Domingo, para os cristãos de todos os tempos, se mostra como uma submissão do tempo a Deus. Mas, na verdade, é uma maneira de designar a submissão do ser humano e todas as demais criaturas a seu criador, uma vez que o tempo não existe em si mesmo, mas se dá nas percepções e inteligência do ser humano. O ‘Dia’ é uma imagem do ser humano. Portanto, dizer ‘Dia do Senhor’ é falar do ser humano (e da criação inteira da qual ele é símbolo) como pertença a Deus. Em especial, por causa da Páscoa de Jesus, é uma maneira de colocar no centro das atenções a importância – e urgência – do ser humano redimido. O Dia é uma imagem do ser humano que vive de processos, ritmos e ritos. Do ser humano que se vai construindo. Melhor dizendo, do ser humano que se vai revestindo de glória nas palavras da carta de Paulo aos Coríntios. Esta experiência precisa encontrar lugar real e concreto em nossa época. O domingo, como um dia no calendário, não mais responde por aquela ocasião em que as pessoas podem obter o descanso, exercitar a convivialidade com a família e os amigos. É mais um dia de consumo, de produção, de lucratividade. Para a tradição ocidental da qual fazemos parte – por influência da fé cristã – o domingo era um dia para recordar a permanente necessidade de humanização. Mas, dia após dia, tudo é igual e as urgências humanas dão lugar a urgências econômicas. Neste sentido, é fundamental reunir-se para celebrar, de modo que os gestos humanos revelem a Escritura e a Escritura lhes confira sentido, reorientando nossa existência. Nesta direção, é muito significativo o convite feito na aclamação ao Evangelho, reiterado, como antífona no canto de comunhão: ‘Celebremos, assim, esta festa, na sinceridade e na verdade’. A Páscoa celebrada tende sempre a fazer-se verdade sincera em ‘nossos dias’, quer dizer, em nossa vida e em sua trama cotidiana. Sabemos que o cotidiano em si não existe – é algo sem forma. Mas o que lhe poderá dar cor, sabor, contorno, veracidade senão a experiência profunda do encontro com o Ressuscitado que continua a passar fazendo o bem como outrora Pedro afirmou? Assim, o tempo pascal se estende diante de nossos olhos como um único dia, o Dia do Senhor, no qual a pessoa humana se redescobre e redefine como criatura de Deus, enriquecida com o seu Amor que a faz reconhecer-se filha bem-quista e com pleno direito à felicidade num mundo mais justo e mais cheio de paz” (cf. Roteiros Homiléticos da Páscoa de 2013 da CNBB, pp. 23-36). A Páscoa neste ano tem sabor de ANO DA FÉ! A Porta da Fé nos remete ao túmulo vazio de onde exalam os perfumes do Ressuscitado! É desse sepulcro vazio que emana o conteúdo de nossa fé acolhida, compreendida, celebrada e vivida na relação com Deus, que nos oferece o único Cordeiro Imolado necessário para nossa felicidade plena, seus Filhos, Jesus Cristo, agora vive presente entre nós, por força e obra do Espírito Santo! Celebrando o cinquentenário do Concílio Ecumênico Vaticano II, a renúncia do Papa Emérito Bento XVI e a eleição do Papa Francisco, O Papa da Ternura nossa Páscoa nos convida à ressurreição imediata na relação com Deus, com a Comunidade de Fé, Oração e Amor e com os porões de nossa intimidade. Deixemo-nos envolver pelos aromas da ressurreição no esforço hodierno de configurarmo-nos cada dia mais com o centro de nossa vida, apaixonando-nos por Aquele que nos move a ser melhores do que somos, Jesus Cristo vivo e ressuscitado no meio de nós! Feliz e santa Páscoa a todos! Cheio de ternura, o abraço amigo e sempre fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler At 10,34.37-43; Sl 117(118); Cl 3,1-4 e Jo 20,1-9)

sábado, 23 de março de 2013

HOMILIA PARA O DOMINGO DE RAMOS E PAIXÃO DO SENHOR

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “É Domingo de Ramos. São os últimos passos da caminhada rumo à Páscoa. Com Jesus, caminhando rumo à Jerusalém, agora, com ele entramos na cidade, cenário onde se desenvolverão os grandes mistérios de nossa fé. Hoje, carregando ramos em nossas mãos, somos convidados a contemplar o Deus que, por amor, fez-se servo e se entregou para que o ódio e o pecado fossem vencidos e a vida nova triunfasse. Com o Domingo da Paixão do Senhor, descortina-se a Semana Santa em que a Igreja celebra os mistérios da salvação levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pela entrada messiânica em Jerusalém. Na celebração deste dia integram-se a entrada de Jesus em Jerusalém e a sua Paixão. A recordação solene da entrada de Jesus em Jerusalém começou no século V. Os cristãos de Jerusalém reuniam-se no monte das Oliveiras, às primeiras horas da tarde, para uma longa liturgia da Palavra. Em seguida, ao entardecer, dirigiam-se à cidade de Jerusalém, levando ramos de palmeiras ou de oliveiras nas mãos. Hoje, Domingo de Ramos, todos nós, exultantes, com ramos nas mãos, proclamamos que Jesus é o Messias, o Ungido. Ao recebê-lo com as palmas da vitória, damos testemunho de seu triunfo sobre a morte, porque compreendemos, na fé, o significado de seu último sinal quando ressuscitou Lázaro: ‘Eu sou a ressurreição e a vida!’. Os ramos abençoados que levaremos para nossas casas, após a celebração, lembram que estamos unidos a Cristo na mesma doação pela salvação do mundo, na labuta árdua contra tudo o que destrói a vida. ‘Tais ramos devem ser conservados antes de tudo como testemunho da fé em Cristo, rei messiânico, e na sua vitória pascal’. ‘Jesus vem a nós como rei humilde e servidor. A Palavra de Deus nos apresenta importantes aspectos da pessoa e da missão de Jesus: ele é o servo sofredor, aquele que se esvaziou a si mesmo, o justo, Filho de Deus’ (cf. Liturgia Diária de Março de 2013 da Paulus, pp. 73-78). Jesus chega e entra em Jerusalém como rei messiânico, humilde e pacífico. Como servo sofredor, caminha rumo à Paixão mediante um ato de total despojamento: ‘Embora de condição divina, Cristo não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo’ (Fl 2,6). O Domingo de Ramos é marcado, de uma parte, pelo mistério, pelo despojamento e pela entrega total e, de outro, pelo senhorio e pela glória do Filho de Deus. O despojamento do Messias contrasta com a espontânea e entusiasta manifestação do povo. Alegre, a multidão louva a Deus por todos os milagres que tinha visto. O povo aclama a inauguração do novo tempo que privilegia os pobres. Novo tempo marcado pela humildade e ternura e não pela violência e pela força das armas. A manifestação popular causa medo aos que vigiam a ordem em nome da lei. Os fariseus estavam encarregados de vigiar o comportamento de Jesus. Diante de sua hipocrisia e falsidade, Jesus taxativamente rejeita seu pedido: ‘Eu vos digo: se eles se calarem, as pedras gritarão’ (cf. Lc 19,40). Não há como silenciar certos acontecimentos, mesmo às vésperas do sacrifício da cruz. A manifestação festiva do povo anuncia o significado da palavra e da ação de Jesus. Ele alimentou a esperança de vitória, do bem, da vida na perspectiva dos planos de Deus. Os ramos abençoados para nós se transformam em sinais de compromisso com os crucificados de nossa sociedade. Em contrapartida, os poderosos preocupam-se e agitam-se. Celebrar a Paixão e Morte de Jesus é deixar-se maravilhar na contemplação de um Deus a quem o amor oblativo tornou frágil. Por amor veio ao encontro e assumiu a condição humana, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu as investidas do tentador, temeu a morte, suou sangue antes de aceitar o projeto do Pai, mas mesmo incompreendido e abandonado, continuou amando. Desse amor brotou a vida em plenitude. Vida que Ele quis repartir com a humanidade até o fim dos tempos. Contemplar a cruz onde se revela o amor e a entrega do Filho de Deus significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados nos dias atuais. Sobretudo os jovens que sofrem violência, que são explorados e excluídos; significa denunciar as causas geradoras do ódio, da injustiça e do medo. Significa empenhar-se em evitar que seres humanos continuem a crucificar seus semelhantes. Significa assumir a atitude de Jesus pela não violência, gerar novas relações de vida a partir da dinâmica do amor que conduz à ressurreição” (cf. Roteiros Homiléticos da Quaresma da CNBB, pp. 56-64). Se durante a Quaresma fizemos o propósito de não falar mal de ninguém, o Domingo de Ramos que abre a grande Semana Santa nos convida ao balanço: conseguimos não falar mal de ninguém ao longo deste grande deserto em preparação à festa da Páscoa? Os pregos de hoje, que crucificam Jesus na pessoa do próximo, é, frequentemente a língua felina, que mente, calunia, destrói a oportunidade de o outro crescer! Muitas vezes por pura inveja! É também o domingo da prestação de contas de todos os nossos exercícios quaresmais de oração com melhor qualidade, de jejum consciente, pensando naquele que não tem o que comer todos os dias e, finalmente a profunda, sincera e generosa caridade! Sejamos honestos e entreguemos, no espírito da Coleta da Solidariedade os frutos saborosos colhidos em benefício dos que tem menos do que nós. A entrega de nossa partilha deverá ser o que na verdade deixamos de consumir na Quaresma. O resultado da Coleta será entregue integralmente na Cúria pelos Padres ou Colaboradores Paroquiais. Depois serão divulgados os mesmos em nosso Boletim IGREJA HOJE, para que todos saibam de nossa honesta generosidade. Numa das últimas coletas, fui procurado por um Agente de Pastoral de determinada Paróquia com a seguinte afirmação: Padre, eu entreguei na Coleta feita em minha Paróquia, três vezes o valor que foi divulgado. Como devo agir? Perguntar ao Padre onde ficou a Coleta? Ficar omisso? Se não puder fazer alguma coisa, fique sabendo, que não darei mais minha colaboração em nada de minha Paróquia. Eu mesmo farei minha caridade diretamente com quem precisa. Sei, que todo Padre honesto com Deus, consigo mesmo e com a Comunidade fica, como eu, profundamente envergonhado com tal situação! O que nos faz diferentes dos órgãos públicos que desviam verbas aqui e acolá? Não seríamos nós piores e muito mais desonestos? Sejamos desta vez, a exemplo de Jesus, despojados. Não utilizemos o arrecadado na Coleta da Solidariedade para benefício próprio, tornando-a Coleta da Desonestidade! Sejam todos muito abençoados e que a Semana Santa nos santifique em nossa fé. Com ternura, meu abraço amigo e fiel, Pe. Gilberto Kasper (Ler Lc 19,28-40; Is 50,4-7; Sl 21(22); Fl 2,6-11 e Lc 23,1-49)