-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

domingo, 27 de julho de 2014

DÉCIMO-SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
Maravilhosos são os vossos testemunhos,
Eis por que meu coração os observa.
Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,
Ela dá sabedoria aos pequeninos” (cf. Sl 118).



          Refletiremos a Palavra viva do Pai, que é Jesus, do Décimo-Sétimo Domingo do Tempo Comum, que continua a nos falar dos segredos do Reino dos Céus.

          A Palavra de Deus deste domingo leva-nos a “encontrar os verdadeiros tesouros do Reino de Deus. Somos convidados a entrar na posse do tesouro escondido, centrando nele o projeto de nossa vida e escolhendo entre coisas novas e velhas.
         
Salomão pede sabedoria para governar e julgar com justiça; Paulo nos diz que Deus convida a todos os seres humanos a fazer parte de sua grande família e Jesus nos ensina que o seu reino deve ser nossa principal preocupação.
         
A sabedoria é necessária aos governantes para bem servirem o povo. É necessário investir com decisão no reino dos céus. Deus, artesão perfeito, fez de nós uma obra-prima” (cf. Liturgia Diária de Julho de 2014 da Paulus, 79-81).
         
Insisto em diferenciar o sabido do sábio! Sabido é quem possui uma avalanche de informações, sem saber administrá-las. Tais informações podem levar a pessoa ao “oco”, ao “nada”, ao “superficial” e “aparente”. Já o sábio, mesmo sem diploma nenhum, é aquele que acolhe, compreende e vive a sabedoria divina! É exatamente o que o Rei Salomão pede a Deus. Como nosso mundo seria diferente, se deixássemos Deus, nosso Criador, respirar nas entranhas de nossa intimidade. Se deixássemos os dons do Espírito Santo agir em nossas escolhas. Muitas vezes tem-se a impressão de que a pessoa tem a arrogante pretensão de querer ser deus sobre o Criador e até chega a convencer-se de que consegue manipular e “barganhar” o Espírito Santo. Tais pretensões, chamamos de “politicagem daqui e dali”, em instituições familiares, comunitárias, sociais, políticas e nem por último eclesiais, o que naturalmente é  desastroso, quando não pecaminoso.  Mas o que não é Deus cai. Um dia cai e cai feio. O grande convite, portanto, é deixar Deus agir em nós, esvaziando-nos de qualquer ganância prestigiosa e elogiosa. Gosto demais de rezar o terço com o povo simples, que às quatro horas da madrugada, ligado na Rádio Aparecida, retransmitida pela Rádio CMN 750-AM de Ribeirão Preto, reza por tantas necessidades e por tantos que além de não rezarem, ainda os ridicularizam. Esse povo, na minha modesta opinião, é verdadeiramente sábio e não simplesmente sabido.
          Para Deus, os pobres e desprotegidos são seu tesouro. Por este tesouro ele investiu o melhor de si, isto é, seu próprio Filho que se fez pobre com os pobres. Aí está o tesouro da sabedoria de Deus, o segredo de seu Reino, infinitamente mais valioso do que todos os poderes e riquezas deste mundo.
         
Então, qual é o Reino de Deus hoje? Aquilo que queremos ter em nosso poder, aquilo que com tanta insistência agarramos e procuramos segurar? Nossas posses, privilégios de classe, status etc.? Ou não será antes a participação na comunhão fraterna, superar o crescente abismo entre ricos e pobres e transformar as estruturas de nossa sociedade, para que todos possam participar da construção do mundo e da História que Deus nos confia?
         
A verdade é que cada pessoa, mais cedo ou mais tarde, em algum dia, terá, obrigatoriamente, que se desfazer de tudo, até mesmo da vida. É o dia em que vamos morrer. Naquela hora derradeira, faremos a experiência de total pobreza: experiência de não sermos, de fato, donos de nada, nem mesmo da vida. Suprema hora em que todo poder, orgulho, vaidade, apego necessariamente caem por terra. Hora, portanto, da suprema e bem-aventurada chance de, no vazio de nós mesmos, Deus ser tudo em nós.

          Pouco tempo antes do Padre Léo da Canção Nova falecer, encontrei-me com ele no aeroporto de Navegantes (SC). Ele viajava de Brusque e eu de Blumenau para São Paulo. Tive o privilégio de viajar ao lado dele e, o que me marcou profundamente foi a seguinte frase dele:

“Padre Gilberto, antes de adoecer e chegar a este estágio de minha fase terminal da doença, já aguardando o dia de ver Deus face a face, sempre tive muita dó dos pobres. Hoje, fazendo a experiência da enfermidade que me consome tão rapidamente, passo a ter dó dos ricos. Você já imaginou a hora em que tiverem de deixar tudo para trás?”

          Já antes, quando num velório, eu me imaginava confinado naquele pedaço de madeira, pensava como ele. Depois deste encontro com o Pe. Léo ficou ainda mais intensa a reflexão: no dia em que meu nome ecoar na eternidade, não terei como não ir. E irá comigo somente aquilo que fui e, nada do que possuí. O que tive, ficará para trás.
         
Que meu tesouro seja de valores essenciais: amor gratuito, verdade, justiça, liberdade e paz! O resto é apenas resto!...

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler 1Rs 3,5.7-12; Sl 118(119); Rm 8,28-30 e Mt 13,44-52).

         


domingo, 20 de julho de 2014

DÉCIMO-SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida.
Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício
e dar graças ao vosso nome, porque sois bom” (Sl 53,6.8).



          A Palavra de Deus do Décimo-Sexto Domingo do Tempo Comum encaminha-nos à Paciência de Deus para com a Humanidade! “A Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã nos ajuda a penetrar nos pensamentos de Deus, com frequência bem diferentes dos nossos. Na liturgia deste domingo, o Pai paciente e misericordioso vem em nosso auxílio para que, embora convivendo com o joio, não desistamos da construção do seu reino.
          Deus espera pacientemente a conversão do pecador. Orando no Espírito como filhos e filhas de Deus, deixamo-nos iluminar pela sua palavra, que não nos permite julgar e agir precipitadamente.
          O poder de Deus se mostra na capacidade de perdoar. Devemos aprender com Jesus a ser pacientes e perseverantes na construção do reino. O Espírito Santo nos auxilia em nossas fraquezas.
          Apesar de nossas infidelidades, Deus é paciente conosco. Pelo memorial do amor de Cristo, o Pai continua demonstrando sua confiança de que nosso joio não sufocará a boa semente do reino” (cf. Liturgia Diária de Julho de 2014 da Paulus, pp. 61-64).
          Embora criaturas prediletas de Deus, porque criados à Sua imagem e semelhança, temos nossas imperfeições. Não há quem seja totalmente bom ou totalmente mau. Temos nossos defeitos e qualidades; nossas virtudes e pecados. Gosto de pensar que não são nem pecados e nem boas ações que nos levarão diante de Deus, porém, o esforço que empreendermos para sermos bons. O querer ser sempre melhor hoje do que ontem, parece-me ser nossa tarefa. Não me refiro a ser melhor do que os outros, mas ser bondoso. Talvez sejamos convidados a perguntar-nos ao que mais nos identificamos em nossas relações humanas? Ao Joio ou Ao Trigo?
          Somente quem faz a experiência da bondade, sabe o quanto é bom ser bom!
          Muitas vezes nos deferimos o direito de julgar, condenar e determinar a sentença sobre os outros. Isso só Deus tem direito de fazer. Ninguém tem o direito de ser “deus” sobre o outro. Porém, todo cristão tem o dever de ser bom, humilde e misericordioso para com o outro. Por isso, é preciso aprender de Deus a PACIÊNCIA que Ele tem para conosco. Quantas vezes escondemos nossos erros atrás dos erros dos outros? Ser joio significa ser diabólico e ser trigo, significa ser angelical em nossas relações. É muito frequente entre nós, os cristãos, falarmos mal dos erros dos outros, difamando-os. Feio mesmo é quando escondemos nossas fraquezas e incapacidades atrás dos deslizes dos outros. Há quem não consegue alegrar-se com o êxito alheio e deixa, por isso, corroer-se pela inveja, que é um mal horroroso entre nós. Oxalá busquemos na força dos dons do Espírito Santo, o êxito de nossa conversão, coerência e misericórdia para com quem nos magoa, surra, machuca ou prejudica. Não acredito que “perdoar é esquecer”; antes, “perdoar é lembrar sem rancor, sem mágoa, com coração misericordioso e tomado de paciência para com quem pecou!...” Quem esteve atento às Homilias do Papa Francisco nas Celebrações da Casa Santa Marta em Roma, deverá ter ouvido iguais alocuções. Há muitos anos tenho insistido na necessidade de superarmos, principalmente a Inveja Clerical para sermos melhores servidores do Senhor!
          A Palavra viva de Deus, que é Jesus mesmo, vem iluminar uma série de questões que nos colocamos com frequência e que, com certeza, eram propostas no tempo em que foi escrito o evangelho: ‘Por que o bem e o mal se apresentam juntos? Por que é que Deus permite que haja imperfeição, o mal, o pecado, mesmo nas Comunidades mais perfeitas? Com todos os meios deixados por Cristo para atingir a perfeição, por que tantos maus discípulos?
          Basta olhar um pouco a realidade que nos cerca: injustiças, corrupção, violência, miséria, fome, doença, morte, para sentir logo os desafios que a vida apresenta. E mesmo que nos joguemos com toda generosidade no trabalho pastoral, constatamos que nossos esforços tantas vezes trazem poucos frutos e muitas desilusões. E acabamos perguntando: Por quê? Vale à pena? Por que Deus não se manifesta de forma mais incisiva? Se a causa do Reino é justa e válida, porque é tão difícil mudar as estruturas? Será que nossas pastorais são estéreis, frutos de nossa ilusão? A Palavra de Deus deste domingo poderá ajudar-nos a ver, julgar e agir melhor, fortalecendo nossas opções em favor da liberdade e vida. O Espírito vem socorrer nossa fraqueza, tornando-se a súplica de quantos lutam por um mundo melhor.
          Quando Jesus fala do joio semeado pelo inimigo no meio do trigal, ele se refere às pessoas e estruturas injustas que crescem junto com a semente do Reino.
          Temos muito a aprender com a paciência de Deus. Ele não é apressado. Ele é calmo, tranqüilo, não se estressa. Ele dá um tempo. Nós é que somos impacientes, intolerantes, dominadores para com os outros, cobrando resultados imediatos. Deus é diferente. Deus tem tanto poder, que ele domina a si mesmo... Não é escravo de seu próprio poder. Sabe governar pela paciência e o perdão. Seu reino é amor, e este penetra aos poucos, invisivelmente, como o fermento. Impaciência em relação ao Reino de Deus é falta de fé. O crescimento do Reino é mistério, algo que pertence a Deus.
          A Palavra nos mostra o grande respeito que Deus manifesta pela liberdade das pessoas. Deus semeia o bem no campo do mundo. Mas não força ninguém a receber o presente. Deixa conviver o mal com o bem. Existe um desenvolvimento, um crescimento. Este fenômeno verifica-se não só dentro da Comunidade. Existe também dentro de cada pessoa. Importa que cultivemos com paciência o bem. Ele não se impõe. É como o grão de mostarda. Pequenino, vai se desenvolvendo e aparece como arbusto vistoso. O bem é comparado ainda ao fermento que, invisível, acaba transformando toda a massa. Assim é o Reino de Deus. Não se impõe de fora, mas age a partir de dentro, pela ação do Espírito Santo.
          Insisto comigo mesmo que obtenhamos frutos saborosos em nossas relações humanas e diante de Deus, no uso do dom gratuito da liberdade, esforçando-nos pela conquista da CONVERSÃO, COERÊNCIA e BOM SENSO sempre!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Sb 12,13.16-19; Sl 85(86); Rm 8,26-27 e Mt 13,24-43).