-- Meu Imaculado -- Coração Triunfará

sábado, 30 de agosto de 2014

VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
 “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir;
foste mais forte, tiveste mais poder...” (Jr 29,7ª).

            O Vigésimo-Segundo Domingo do Tempo Comum, último do Mês Vocacional, reflete, contempla e agradece a Vocação dos Ministérios e Serviços não ordenados, especialmente os Catequistas, que tanto enriquecem a Igreja de Jesus Cristo, sempre ministerial, discípula e missionária!
          “Não é fácil renunciar a bens e privilégios, mas é fundamental abandonar maneiras velhas de pensar e agir, para poder seguir o evangelho. Convocados a esse seguimento, celebramos a páscoa de Jesus, a qual se manifesta em todos os que perdem a vida por amor ao reino. Celebremos em comunhão com os vocacionados aos vários ministérios e serviços, com atenção especial aos catequistas.
          A palavra de Deus cativa e compromete as pessoas. Quem busca assumir o projeto de Jesus experimenta pessoalmente a verdade de que os sistemas do mundo não combinam com o evangelho de Jesus Cristo.
          A palavra de Deus nos seduz e nos compromete com seu projeto. O seguimento de Jesus exige renúncia e comprometimento. O verdadeiro culto que agrada a Deus é fazer sua vontade.
          ‘Ó Deus do universo, reunidos em vosso nome, refletimos e rezamos como irmãos e irmãs. Vossa palavra é exigente; para seguir vosso Filho, Jesus, ela nos diz que devemos renunciar a tudo o que não condiz com seu projeto e tomar a cruz de cada dia. Ajudai-nos a ser fortes diante das exigências e das dificuldades para não esmorecermos no caminho.’” (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2014 da Paulus, pp. 99-101).
          Nós podemos desconfiar de uma Igreja que não conhece o martírio. Por quê? Porque o caminho dos cristãos não é diferente do caminho de Jesus. É feito de incertezas, mas também de coragem e esperanças; de lutas, mas também de vitórias; de cruz, mas também de ressurreição e vida; de não-conformismo, mas também de compromisso com o projeto de Deus. Disso nos falam Jeremias, Jesus e Paulo. Pedro, no evangelho deste domingo, representa o medo que temos das consequências do cristianismo que enfrenta as forças contrárias à vida; Jeremias é a voz dos que sofrem fortemente os apelos da Palavra irresistível; Jesus nos mostra o caminho da vitória; Paulo nos fala do verdadeiro culto agradável a Deus. A Palavra deste domingo, em síntese, nos encoraja no testemunho cristão, evitando que a mediocridade nos conduza a um beco sem saída.
          Todos nós, como Jeremias e como Pedro, passamos pela tentação de querer apossar-nos apenas do aspecto glorioso do mistério pascal, negando sua dimensão de renúncia à própria vida. A tentação do ser humano moderno é a realização humana através das próprias forças. Esquece-se de que a pessoa humana transcende-se a si mesma a partir de Deus. É só perdendo-se a si mesmo pela doação da própria vida ao próximo por causa de Cristo que ele se realiza de verdade.
          O destino do cristão, discípulo de Jesus, não pode ser diferente do destino do mestre. O evangelho deste domingo é claro: ‘Para estar com ele são exigidas duas condições: Renunciar a si mesmo é deixar de lado toda ambição pessoal. Em outros termos, temos aqui a repetição da primeira bem-aventurança: ser pobre (cf. Mt 5,3). Carregar a própria cruz é enfrentar, com as mesmas disposições de Jesus, o sofrimento, perseguição e morte por causa da justiça que provoca o surgimento do Reino... É a última bem-aventurança, a dos perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5,11). Ser discípulo de Jesus, portanto, é reviver a síntese das bem-aventuranças.
          A lição que Pedro recebe ensina-nos a olhar para Cristo, para ver nele a lógica de Deus; a olhar para os pobres, para ver neles o resultado da estratégia do Adversário... Pois o sucesso e a ganância produzem os porões de miséria. Devemos analisar o sistema de Deus e o sistema do Adversário hoje. O sistema de Deus proíbe ao homem dominar seu irmão, porque Deus é o único dono; os sistemas contrários são baseados na dominação do homem pelo homem. Quem quiser ser mensageiro do Reino de Deus experimentará na pele a incompatibilidade com os sistemas deste mundo. O mensageiro de Deus, seguidor de Jesus, será rejeitado pela sociedade como corpo alheio. Tomando consciência disso, vamos rever nossa escala de valores e critérios de decisão. A mania do sucesso, o prazer de dominar, de aparecer, de mandar... já não valem. Vale agora o amor fiel, que assume a cruz, até o fim (cf. Homilias do Papa Francisco em sua Visita Pastoral à Coréia do Sul em 16 e 17 de agosto de 2014).
          Embora muitas pessoas não gostem de pensar e muito menos de falar no assunto, procuro sempre imaginar-me, quando vou a algum velório, no lugar daquela pessoa confinada num pedaço de madeira: “E se fosse eu que estivesse no lugar da pessoa falecida? Estaria preparado para encontrar-me diante de Deus? E como estaria? De mãos cheias ou vazias de boas obras e gestos de caridade? Renunciar a própria vida e consumir-se pelo anúncio do Reino de Deus é parecer como uma vela de cera, que quanto mais se derrete, maior e mais bela é a chama que ilumina e encanta o olhar de quem a contempla. Temos deixado o fogo abrasador de o Espírito Santo acender-nos como velas, luzes que iluminem e encantem a vida de nossos irmãos?
          É gratificante e enriquecedor a presença de tantos Leigos e Leigas, comprometidos com a dinâmica pastoral que edifica nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Somos profundamente agradecidos a todos eles.
          A Palavra nos convida à docilidade daquilo que o Mestre espera de cada um: tanto dos ministros ordenados, como daqueles que não são ordenados, mas também Sacerdotes, por conta do Batismo que os adotou como herdeiros da Vocação ao Amor!
          Consigamos transformar em nossa vida pessoal e também pastoral: O Poder em Serviço; Os Bens (materiais e intelectuais) em Partilha; O Prestígio em Humildade, buscando viver nosso ministério, configurados com o Mestre, a partir da Conversão, Coerência e Bom Senso sempre mais conscientes! Superemos os “Pecados Paroquiais: Saudosismo, Milindrismo e Estrelismo”, abrindo-nos ao diferente, ao novo, como tanto nos sugere e pede nosso Projeto Missionário SIM – Ser Igreja em Missão, juntamente ao nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral, e não por último os tão claros e insistentes apelos do Santo Padre o Papa Francisco!
          Ainda tem-se a sensação clara, de que tais apelos do Papa ainda não chegaram às bases de nossas Comunidades. Sua insistência numa Igreja mais simples, mais pobre, menos hipócrita e descomplicada, ao invés ainda demonstra muitas ostentações, arrogâncias, abusos de poder sejam eles eclesiais, políticos e comunitários. Não sei se o Papa ficaria feliz ao saber de nossas relações inter-eclesiais, entre pastores e rebanho. Ainda há muitos que surram suas ovelhas sem a tão insistente Igreja da Misericórdia sonhada pelo Papa. Outro fator muito evidente e feio é a desobediência reinante entre nós. Descuidar das orientações do Papa, reiteradas pelos Bispos e Superiores é mera hipocrisia. Quem sabe assumir nossa cruz, renunciar a nós mesmo, não seria uma conversão para valer, como lemos tão claramente no Documento nº 100 da CNBB: Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia – A Conversão Pastoral da Paróquia?
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Jr 20,7-9; Sl 62(63); Rm 12,1-2 e Mt 16,21-27).


           

domingo, 24 de agosto de 2014

VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
DIA DOS CATEQUISTAS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei minha Igreja;
e os poderes das trevas
jamais poderão contra ela!” (Mt 16,18).

          “O Vigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum é o Domingo da profissão de fé de Simão Pedro! Mais uma vez animados pela presença do Ressuscitado em nossa caminhada de discípulos, somos convidados a proclamar a fé e a recordar o sentido de nossa missão.
          No exercício da missão, os discípulos de Jesus se vêem envoltos em situações delicadas que requerem muita fé. O anúncio da Boa-Nova do Reino exige dos discípulos e missionários convicção profunda, mas, em certos momentos, eles fraquejam e sentem-se impotentes.
          Conscientes de nossa pobreza e fragilidade, disponhamo-nos à graça de Deus que nos faz proclamar a mesma fé de Simão Pedro: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’.
          Recordamos com carinho neste domingo, no espírito do Mês Vocacional, os vocacionados para os Ministérios e Serviços na Comunidade. Recordamos de modo ainda mais particular, os Catequistas em sua importante missão de educadores da fé.
          Os primeiros Catequistas e Educadores da Fé dos filhos, são os próprios pais. Ou deveriam ser. É o que prometem no dia do próprio Matrimônio e no dia em que levam os filhos ao Sacramento do Batismo. Porém, como a educação básica, também terceirizam a magnífica Educação da Fé dos Filhos aos sempre tão abnegados Catequistas! Como verdadeiras pérolas preciosas das Comunidades, merecem nossa mais profunda gratidão. Mesmo assim continuo pensando que, quem deveria ser evangelizado em nossos Planos de Catequese, são os Pais. Esses, por sua vez, deveriam ser capacitados para evangelizarem os filhos, em Família. Mas em nossa Cultura de Sobrevivência, isso ainda é um sonho longe de se tornar realidade.
          A palavra de Deus, deste domingo, é uma grande mina de grande valor. Podemos contemplá-la sob diferentes ângulos. Eliacim e Simão Pedro, por serem pessoas tementes a Deus, receberam uma missão, ou seja, as ‘chaves’. Na perspectiva da fé, qual seria a missão dos discípulos e missionários do Senhor em nossos dias?
          É interessante imaginar a cena, em que Jesus pergunta: ‘Quem dizem os homens ser o Filho do homem?’. Estamos em plena Campanha Eleitoral. Mal comparado, poderíamos imaginar que Jesus tenha perguntado como andam as pesquisas a seu respeito, assim como fazem os marqueteiros e assessores ou cabos eleitorais dos candidatos a algum serviço pela Nação. A resposta dos discípulos é bastante ‘espírita’: ‘Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros, ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas’ – reencarnação pura!
          Mas o que interessa mesmo a Jesus é saber se seus discípulos o estudaram o suficiente e faz a prova oral de sua Teologia: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’. Pedro se adianta não porque estudou mais do que os outros, mas porque o Pai lhe revelou, e faz a sua, a nossa, a da Igreja linda profissão de fé: ‘TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO’. A partir daí Jesus confia à Igreja, por meio dos discípulos, a missão da Unidade e reafirma o Sacramento da Reconciliação!
          Sem sombra de dúvida, o grande desafio da Igreja, dos discípulos e missionários é anunciar a verdade sobre Jesus Cristo; ter a coragem de proclamar ao povo, aos grupos humanos, às diferentes culturas e realidades quem é o Filho de Deus.
          A grande missão do discípulo e missionário é ‘proteger e alimentar a fé do povo de Deus e recordar também aos fiéis que, em virtude do seu batismo, são chamados a serem discípulos e missionários de Jesus Cristo [...] Em um período da história, caracterizado pela desordem generalizada que se propaga por novas turbulências sociais e políticas, (Estejamos atentos à Campanha Eleitoral atual), pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã e pela emergência de variadas ofertas religiosas que tratam de responder à sua maneira, à sede de Deus que nossos povos manifestam’ (DAp, 10).
          Aos discípulos e missionários de Jesus, mais do que condenar e excluir, cabe acolher e perdoar, absolver e reconciliar em nome de Jesus Cristo. Na pessoa de Pedro, a Igreja é chamada a ser escola permanente de verdade e justiça, de perdão e reconciliação para construir uma paz autêntica.
          Todos nós, como pessoas de fé, na Igreja, somamos com Pedro como pequenas pedras. Por simples ou modestas que sejam estas pedras, todas devem estar densas do dom da fé. Aderindo a Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, somos parte do seu Corpo, a Igreja, contra a qual as forças do mal não triunfarão. Contudo, precisamos fortalecer a fé, para encarar os novos desafios, uma vez que estão em jogo o desenvolvimento harmônico da sociedade e a identidade católica dos povos” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I da CNBB, 2014, pp. 94-102).
            Não mutilemos, pois, este lindo Corpo que é a Igreja. Nós somos os membros e Jesus Cristo é a cabeça desse Corpo. Mesmo que me pense ser o dedinho do pé, escondido no sapato não tenho o direito de aleijar o Corpo, faltando com minha presença, compromisso, fidelidade e oração que une a Comunidade. Sejamos, finalmente, um Corpo bem sarado, malhado e atraente, a fim de que todos queiram unir-se a ele.
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel.
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 22,19-23; Sl 137(138); Rm 11,33-36 e Mt 16,13-20).